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Elden Ring: um soulslike para todos?

Desde o lançamento em 25/02, Elden Ring tem sido um dos assuntos mais comentados nas redes sociais do país no último mês.


Mas o que esse jogo tem de tão impressionante para alcançar notas tão altas pela crítica especializada e ter caído no gosto dos jogadores? Vamos ver aqui.

Primeiro é importante confessar que não sou fã de soulslike. Joguei Dark Souls 3 no Xbox por algumas horas mas foi tempo o suficiente para entender que aquilo não era pra mim: a dificuldade, a curva de aprendizado, milhares de elementos mortais no cenário e as penalidades rigorosas por morte me afastaram do gênero por me tirar a sensação de prazer e de divertimento. Pode não ter sido o melhor começo mas para mim foi o suficiente para sequer procurar outros jogos. Porém, Elden Ring despertou novamente uma curiosidade e decidi dar uma chance para o jogo. O review aqui vai ser então feito por alguém que jogou no PC por algumas horas (e está longe de terminar a história principal), comprou a proposta e não é fã nem conhecedor de jogos da From Software. Considero praticamente como um primeiro contato real com o gênero. 

História

A abertura mostrada aí em cima conta um pouco da história principal do jogo: reunir os fragmentos do anel prístimo (o Elden Ring) para se tornar o Lorde Prístimo.

Jogabilidade

Característico dos jogos da From Software – e sendo por muitos considerado quase que como um quarto jogo – , ER exige do jogador paciência e repetição ao enfrentar os desafios presentes no mapa. Logo no início, há um tutorial que ajuda muito aqueles que estão tendo o primeiro contato com o gênero: ao ver uma alma numa cadeira te falando para “mergulhar”, mergulhe!

O jogo utiliza de mecânicas comuns dos antecessores, cria um sentimento de familiaridade no fã mas traz uma nova lógica de gameplay: mais guiada embora menos linear em termos de construção da história, já que traz uma ampla liberdade de exploração do mapa. Exceto nas partes que integram a história principal e onde você vai enfrentar os bosses (os Lordes Prístinos), todo o mapa vai ser contextual e vai se mostrar a você a partir da sua forma de jogo. Você é livre para entrar numa caverna repleta de lobos, encontrar um dragão no pântano ou cair em armadilhas: tudo é centrado na exploração e, se você vai sair vivo dessa, aí é outra história. 

Isso me faz lembrar muito de TES: Skyrim. Foi um dos jogos que mais joguei na vida e cada nova exploração era um local novo descoberto e as pessoas continuavam falando sobre isso mesmo depois de anos do lançamento (que aconteceu em 2011). ER, pra mim, vai gerar o mesmo sentimento pois não importa se você esteja ou não focado na missão principal: cada centímetro do mapa tem uma nova descoberta, um local interessante a ser explorado. 

Um detalhe que não posso deixar de mencionar é a sonoridade e as músicas. Com uma trilha que ora desespera, ora nos faz sentir herois em uma verdadeira epopeia, ER soube mexer muito com os sentimentos dos jogadores. 

Multiplayer e interações

Se você está esperando alguma novidade no modo co-op, deixa eu te alertar aqui: não tem. Não dá para explorar o mapa com seus amigos e não há cross-plataforma. O que é possível fazer é: habilitar no menu o modo multiplayer, criar senha de acesso e convidar um amigo para te auxiliar em bosses ou outras partes específicas do mapa.

Uma mancha de sangue representa “morte”. Ao tocar manchas de sangue, o jogador poderá ver como outros jogadores morreram naquele lugar. Isso auxilia o jogador inexperiente a redobrar a atenção em pontos que o perigo ainda não surgiu.

Logo após montar o personagem e passar pela abertura, o jogador vai encontrar, num cadáver, um item chamado dedo enrugado do maculado. É com esse item que você poderá espalhar milhares de mensagens no mapa do jogo para alertar, ajudar ou sacanear outros jogadores. Achei um recurso interessante para manter a comunidade participativa e interativa dentro do próprio jogo. Eu mesma já deixei mensagens de “item valioso” onde não tinha absolutamente nada para fazer, ao passo que também deixei alguns alertas de perigo espalhados quando fui surpreendida por inimigos.

Minha Confessor bem depois de pegar o Torrente

Gráficos e arte

Para mim, jogos da From Software não se destacam pela qualidade gráfica dos jogos. DD, segundo me disseram, é uma das coisas mais bonitas criadas pelo estúdio e os gráficos chegam a causar espanto pela beleza. Elden Ring está no meio termo disso. Os gráficos e texturas são realmente muito bonitos e a variedade de itens, inimigos, dungeons e desafios espalhados ao longo do mapa é impressionante. Não a toa é um jogo que pede muita RAM para ser jogado no computador.

Há um conceito artístico diferente, algo mais sombrio e gótico, com músicas orquestradas com percussões marcantes e vozes líricas.

As classes

O jogo possui dez classes de personagens com habilidades e estilos que variam muito entre eles. Tem classes que vão agradar fãs clássicos de souslike (como o Herói e o Miserável), classes intermediárias (como o Guerreiro e o Confessor), ao passo que tem outras mais desafiadoras (como Vagabundo e Astrólogo) e algumas muito interessantes (como o Prisioneiro e o Samurai). São classes para agradar todo tipo de jogador, desde o fã de soulslike até quem está se aventurando no gênero pela primeira vez. Optei por uma classe híbrida, o Confessor, mas estou vendo muita gente se divertindo bastante com a classe Astrólogo (que é o mago do souls), que permite soltar magias e dar danos à longa distância dos inimigos.

Cada classe possui oito atributos principais que começam com uma pontuação inicial e podem ser modificados conforme se ganha XP no jogo: vitalidade, mente (PF), tenacidade (vigor), força, destreza, inteligência, fé e arcano. Para uma melhor experiência no jogo, é interessante pensar numa distribuição estratégica de pontos para aprimorar melhor suas skills de acordo como seu estilo de jogo. Esse detalhe é importante em qualquer souls, e por isso não é diferente em ER.

Personalização do personagem

Há uma grande variedade de possibilidades para criação do personagem: cor de pele, distâncias e tamanhos de olhos, nariz, testa, bochecha, mandíbula, dentre outros aspectos personalizáveis. Porém, como os trajes não são customizáveis e boa parte das classes usa equipamentos que não mostram a cabeça ou o rosto, a personalização se perde um pouco. Não é o foco do gênero, eu sei, mas me pergunto para quê passar horas criando o seu campeão se você mal vai poder ver o que criou.

Outro detalhe importante é que as configurações iniciais de skin variam apenas quanto a classe. Ao longo do jogo você poderá adquirir ou coletar itens novos e melhorias, dando uma aparência única para o personagem. Não se incomode se ver espadas “perfurando” capas quando embainhadas ou texturas de itens que se cruzam com outros: é um detalhe gráfico que já foi superado em outros grandes títulos mas não parece incomodar os fãs de ER.




Confessor do Daniel Miranda

Localização

O jogo, que não possui diálogos, está com os textos inteiramente traduzidos para português. PORÉM, não sei o que aconteceu nas decisões de localização que muito do texto original simplesmente se perdeu. A descrição de itens é o principal exemplo e o Heider do PãoGeekeijo demostrou isso:


A localização de Elden Rings para português brasileiro cortou muita informação. Recomendo jogar em inglês para quem domina a língua. Fonte: https://t.co/Rpj9W0qp7o pic.twitter.com/y6mYJ6G2tm — O Heider, na rua, no meio do redemoinho (@heidercrc) March 11, 2022

A tradução do jogo tem o seu mérito de deixar a história mais acessível para os brasileiros. Não dá para ignorar isso. Meu problema é que muita coisa da ambientação do jogo se “perde” em meio a essa localização que ficou objetiva demais.

P.S.: Hoje foi liberada a atualização 1.4 do jogo com melhoria na localização para português. Ainda não testamos mas é um grande avanço posto que a tradução deixou a desejar.

Melhorias em termos de facilidade

ER trouxe novidades importantes que dão mais acessibilidade ao jogador sem que o jogo em si perca essa essência de dificuldade. Não é um “modo easy” mas sim elementos que vão melhorar a experiência de quem joga, mas também não acho correto tratá-los como acessibilidade (porque, em essência, não é). Preferi chamar então de melhorias em termos de facilidade.

O primeiro deles é o Torrent, o cavalo, que vai permitir a exploração dos lugares de forma mais ágil e entrar ou escapar de confrontos de uma forma rápida e pouco danosa. O segundo é a possibilidade de pular e o terceiro é que o jogo está menos punitivo do que os outros souls, como é o caso da barra de vigor que reduz de uma forma sensível. O quarto é que algumas habilidades que podem ser equipadas são cambiáveis – desde que você faça isso em um local de graça – e mudam substancialmente nas ações do personagem, podendo fazer com que um guerreiro possa ter habilidades mágicas à sua disposição.

Impressões gerais

Esse é um dos jogos com grandes chances de levar o GOTY do ano, mesmo com grandes lançamentos prometidos ainda para 2022. Elden Ring não apenas mandou muito bem em agradar o fã do gênero como foi, sem perder sua essência, altamente convidativo para pessoas que nunca jogaram ou nunca se interessaram por soulslike – eu inclusa. Jogos difíceis assim movimentam muito a comunidade que continua conversando sobre o jogo, sobre formas de se passar obstáculos, coletar itens especiais ou até armadilhas espalhadas ao longo do mapa. É por isso que acredito que o jogo receberá muitas premiações, principalmente se pautadas por voto popular.

Isso engaja muito o produto em si e certamente ficará marcado por um bom tempo, seja até o momento que as pessoas cansarem ou começarem a falar de outro grande lançamento.

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