Crítica | Homem-Aranha: Um Novo Dia — O recomeço que o amigão da vizinhança precisava
- Marlon Spielberg
- há 22 horas
- 3 min de leitura
Um Peter Parker finalmente sozinho
Homem-Aranha: Um Novo Dia chega aos cinemas cumprindo exatamente o que seu título promete: um verdadeiro recomeço para Peter Parker.
Após os acontecimentos do último filme, Peter tenta, sem sucesso, conviver com uma nova realidade onde ninguém mais se lembra de quem ele é. Como se isso não bastasse, ele ainda precisa lidar com a dor de ter perdido o amor de MJ.
Buscando uma forma de preencher esse vazio, Peter passa a dedicar praticamente todo o seu tempo às atividades como Homem-Aranha. Só que esse excesso acaba despertando uma perigosa mutação em seu DNA aracnídeo, tornando-o mais forte... mas também muito mais agressivo.
Entre o dilema de revelar ou não sua identidade aos antigos amigos, Peter ainda precisa enfrentar uma ameaça invisível que promete colocar à prova não apenas seus poderes, mas também sua humanidade. Para isso, contará com a ajuda de aliados como o Justiceiro e Bruce Banner.
Um novo diretor, um novo tom e um Homem-Aranha mais fiel aos quadrinhos
Sem sombra de dúvidas, a mudança de direção fez um bem enorme para a franquia.
Finalmente vemos essa versão do Homem-Aranha vivendo uma realidade muito mais próxima daquela que conhecemos dos quadrinhos: um Peter Parker quebrado financeiramente, emocionalmente exausto e sem uma gigantesca rede de apoio para resolver seus problemas.
Outro acerto enorme está no novo uniforme. Pela primeira vez em muito tempo temos um traje que realmente parece existir. Dá para notar as dobras do tecido, as costuras e até pequenos detalhes que fazem parecer que Tom Holland está realmente vestindo uma roupa, e não apenas coberto por efeitos digitais.
As referências ao Homem-Aranha de Tobey Maguire também aparecem na medida certa, funcionando mais como homenagem do que como fan service gratuito. Já as cenas de ação lembram bastante as coreografias vistas nos jogos mais recentes do personagem, algo que certamente vai arrancar um sorriso dos fãs.

Um elenco grande que encontra seu espaço
Quando foi anunciado que o filme teria uma quantidade considerável de heróis e vilões, confesso que fiquei com receio de que isso prejudicasse o desenvolvimento da história.
Felizmente, aconteceu justamente o contrário.
Cada personagem possui uma função bem definida dentro da narrativa, sem roubar o protagonismo de Peter. Todos têm tempo de tela suficiente para justificar sua presença e contribuir para a evolução da trama.
É difícil comentar a participação de Sadie Sink sem entrar em spoilers, mas posso dizer que sua personagem é muito bem apresentada, possui um desenvolvimento interessante e deixa claro que ainda deve ter um papel importante no futuro do MCU.
O coração do filme está em Peter Parker
O roteiro acerta em cheio ao entregar uma história que parece ter saído diretamente das páginas de uma HQ clássica do Homem-Aranha.
Mais do que grandes batalhas, o filme se preocupa em desenvolver os conflitos internos de Peter. O resultado é uma narrativa carregada de emoção, que certamente vai tocar quem acompanhou a trajetória dessa versão do herói desde seu primeiro filme.
Tom Holland entrega, mais uma vez, uma atuação extremamente segura e, ao lado de Zendaya, protagoniza alguns dos momentos mais emocionantes do longa.
Outro grande acerto é a decisão de reduzir a conexão direta com os grandes eventos do MCU. Apesar das participações de Justiceiro e Hulk, a história permanece focada em problemas menores — ou, como diz uma certa personagem do filme, em "peixes pequenos". Isso faz com que Peter volte a ser aquele herói da vizinhança que conquistou tantas gerações.

Entre o homem e a aranha
Talvez o aspecto que eu mais tenha gostado no filme seja justamente a forma como ele trabalha o conflito entre o lado humano e o lado aracnídeo de Peter.
Quanto mais ele abandona sua vida pessoal para viver exclusivamente como Homem-Aranha, mais seu DNA aracnídeo assume o controle. Essa transformação funciona como uma interessante metáfora para os conflitos emocionais que enfrentamos quando deixamos nossas dores consumirem quem realmente somos.
É uma ideia simples, mas muito bem executada.
Confesso que esse lado mais emocional me lembrou bastante Homem-Aranha 2, de Sam Raimi, principalmente pela forma como o filme coloca Peter diante de escolhas que vão muito além de derrotar o vilão da vez.
Veredito final: um novo começo cheio de coração
Homem-Aranha: Um Novo Dia faz exatamente aquilo que muitos fãs esperavam há anos.
Ele devolve Peter Parker às suas origens, aposta em uma história mais intimista, respeita a essência dos quadrinhos e coloca o desenvolvimento do personagem acima da grandiosidade do universo compartilhado.
Mesmo contando com diversos personagens importantes, o filme nunca perde seu foco: contar a história de um jovem tentando reencontrar seu lugar no mundo enquanto luta para não perder quem realmente é.
É emocionante, divertido, repleto de ótimas cenas de ação e mostra que, às vezes, o Homem-Aranha não precisa salvar o universo inteiro para entregar uma grande aventura.
E quer saber? Esse talvez seja justamente o maior acerto do filme.


