A Morte de Robin Hood: A Fria Desconstrução do Mito Estrelada por Hugh Jackman
- Tiago Moiado

- há 7 horas
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A lendária história de Robin Hood já ganhou inúmeras adaptações no cinema. De clássicos de aventura a comédias e filmes de ação, a premissa quase sempre orbitou em torno do heroísmo e do famoso lema de "roubar dos ricos para dar aos pobres". No entanto, o filme A Morte de Robin Hood, dirigido e escrito por Michael Sarnovski (Pig), surge com uma proposta radicalmente oposta: eliminar qualquer rastro de filantropia e encarar a mitologia sob a ótica da pura brutalidade e da violência.
Origem do Projeto e Conceito de Mercado
O longa ganhou grande visibilidade no mercado do Festival de Cannes de 2024 (Marché du Film). A ideia de unir o mesmo diretor que redefiniu a carreira recente de Nicolas Cage a um astro do calibre de Hugh Jackman chamou imediatamente a atenção de grandes distribuidoras, como a A24 nos Estados Unidos.
A proposta vendida ao mercado era audaciosa: utilizar uma figura histórica amplamente conhecida para discutir como a imaginação popular pode transformar assassinatos e carnificinas em lendas de heroísmo.

A Queda do Herói em 1247
Ambientado no ano de 1247, o filme nos apresenta um Robin Hood envelhecido, sombrio e profundamente atormentado. Afastado do heroísmo caridoso que a cultura popular moldou ao seu redor, ele vive isolado e assombrado pelos fantasmas de centenas de pessoas que assassinou no passado.
Após ser gravemente ferido em combate, Robin passa a receber os cuidados da jovem Bridgen, interpretada por Jodie Comer. Confinado e diante de sua própria mortalidade, o protagonista é forçado a confrontar o peso de seus pecados e a buscar uma forma de redenção enquanto sua vida se esvai.
A direção de Michael Sarnovski toma decisões estilísticas marcantes que moldam a experiência do espectador do início ao fim.
Um Primeiro Ato Visceral e Enganoso
A direção de Michael Sarnovski toma decisões estilísticas marcantes que moldam a experiência do espectador do início ao fim.
Os primeiros 30 minutos de projeção entregam sequências brutais de combate. O público é lançado no meio do desespero, das lâminas enferrujadas, do sangue e da lama. Essa introdução impactante cria a sensação de que assistiremos a um filme de ação épico, mas funciona apenas como um contraste para o que vem a seguir.

A Transição para o Drama Contemplativo
Após a introdução violenta, a narrativa sofre uma guinada radical. O ritmo acelerado dá lugar a um drama lento, claustrofóbico e contemplativo. O filme abandona os impulsos tradicionais de ação para colocar o espectador na "sala de espera da morte" ao lado do personagem.
A direção de fotografia acompanha essa mudança psicológica de forma cirúrgica. As paisagens abertas e sombrias do início gradualmente dão lugar a quadros reduzidos e fechados. Ao encolher a proporção da tela, o diretor elimina a escala épica e força uma intimidade quase opressiva com o sofrimento e a culpa dos protagonistas.
Atuações e Veredito Final
O alicerce dramático do filme repousa no talento de seu elenco principal:
Hugh Jackman: Entrega uma atuação densa e carregada de culpa que lembra imediatamente seu trabalho em Logan, explorando com maestria a decadência física e emocional de um ícone.
Jodie Comer: Oferece uma performance contida e precisa, atuando como a âncora emocional da narrativa e permitindo que o filme explore a humanidade em meio ao caos

Vale a pena assistir?
Apesar de ser uma ideia fascinante no papel, a execução de A Morte de Robin Hood peca ao deixar um certo vazio narrativo após seu brilhante primeiro ato. A desconstrução da lenda, embora conceitualmente corajosa, às vezes se torna exaustiva devido à dilatação temporal e à recusa em avançar a história.
Nota: 7/10





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