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Dolly: A Boneca Maldita – Um Slasher Sem Gás

"Dolly" chegou aos cinemas cercado de expectativas por sua promessa de ser um terror cru, brutal e uma homenagem aos clássicos slashers da década de 70. No entanto, o que se entrega é um projeto que, apesar de ter uma estética interessante, falha drasticamente na execução, resultando em uma experiência "morna" e previsível.


Sinopse: Durante um passeio em uma área isolada, a jovem Macy (Fabianne Therese) e seu namorado Chase (Seann William Scott) têm suas vidas transformadas em um pesadelo quando são atacados por uma figura monstruosa e perturbada. Macy é sequestrada e levada para um cativeiro decrépito, mas o objetivo de seu captor não é o assassinato imediato.

A criatura — uma presença imponente e grotesca interpretada por Max the Impaler — vive em uma realidade distorcida onde deseja "reconstituir" uma família. Macy é forçada a assumir o papel de uma filha obediente em um jogo perverso de casinha, cercada por uma obsessão macabra. Enquanto Chase, mesmo ferido, luta contra o tempo e o ambiente hostil para localizá-la, Macy precisa encontrar uma força interior brutal para resistir ao confinamento e escapar antes que sua identidade seja permanentemente apagada pelo delírio de sua nova "mãe".


Macy - Fabianne Therese

A Premissa

O filme apresenta uma antagonista imponente: Dolly uma mulher "brucutu" (interpretada pela lutadora Maxxine Dupri) que vive isolada na floresta. Usando uma máscara de porcelana e agindo como uma versão feminina do Leatherface, ela é obcecada por bonecas, capturando humanos para "brincar" de costurá-los e vesti-los como brinquedos vivos. Embora o conceito seja aterrorizante, o roteiro não consegue aprofundar essa psicopatia de forma satisfatória.

"Dolly" nasceu de um curta-metragem de 2022, uma ideia que funciona bem em 10 minutos foi "esticada" para 75 minutos sem o suporte de um roteiro robusto. O resultado é um ritmo truncado que faz o espectador sentir que o filme é muito mais longo do que realmente é.


O diretor Rod Blackhurst aposta alto na nostalgia. O filme utiliza filtros amarelados e imagem granulada para simular a película dos anos 70 e comum nas ambientações slashers. A trilha sonora clássica de filmes de perseguição e câmera na mão em 95% do tempo para causar a sensação de aflição no espectador.

O problema é na tentativa de criar urgência através da câmera instável acaba gerando irritação e confusão visual, em vez de tensão. As cenas de confronto são picotadas e "engessadas", revelando uma inabilidade na edição em transformar a coreografia de luta em algo fluido e impactante.


Dolly e Macy

Quem conduz a trama?

Os personagens centrais, Chase (Sean William Scott o Stifler de American Pie) aqui o ator é, sem sua carreira na tentativa de voltar aos holofotes é subutilizado. Após um ataque inicial, seu personagem passa quase o filme inteiro se arrastando pela floresta e gritando de dor, uma escolha de roteiro que serve apenas para "encher linguiça". O filme então foca seu tempo maior em Macy (Fabianne Therese), uma jovem comum em um passeio com o namorado Chase, mas sua transição para uma "sobrevivente nata" é o foco central da trama. Quando ela é sequestrada pela Dolly e mantida em cativeiro, o roteiro de Rod Blackhurst foca em sua capacidade de adaptação. Ela não apenas tenta escapar, mas aprende a ler a psicologia distorcida de seu captor para ganhar tempo. A introdução do pai (Ethan Suplee), de Dolly, como um prisioneiro é descrita como "telegrafada". Qualquer espectador minimamente atento consegue prever a traição e o destino do personagem muito antes de acontecer.


Chase tebdo seu encontro com a "boneca"

O Lado Bizarro e o Final

O filme flerta com o "trash" em momentos como a cena da amamentação com uma prótese de plástico, que beira o ridículo em vez do horror puro. O encerramento tenta uma homenagem direta ao final de O Massacre da Serra Elétrica, com a protagonista May rindo de forma histérica ao fugir, mas a jornada até ali não justifica tamanha carga dramática, tornando o desfecho genérico.


Dolly é um filme que se apoia inteiramente em filtros visuais e em uma premissa que já vimos ser melhor executada em outras décadas. Com um roteiro vazio e uma direção que confunde estilo com amadorismo, o longa acaba sendo uma oportunidade desperdiçada.

Nota: 4 / 10



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