Crítica | Michael — Um espetáculo que humaniza o Rei do Pop sem deixar de celebrar seu legado
- Marlon Spielberg
- há 16 horas
- 3 min de leitura
Do Jackson 5 ao estrelato: o nascimento de um ícone
Uma das cinebiografias mais aguardadas dos últimos anos, Michael chega aos cinemas cercado de expectativa, polêmicas de bastidores e uma produção conturbada — com direito a adiamentos e refilmagens. Produzido pelos mesmos nomes por trás de Bohemian Rhapsody e com forte envolvimento da família Jackson, o filme aposta em um recorte específico da vida do artista: da formação e ascensão do Jackson 5 no fim dos anos 60 até a consolidação da carreira solo de Michael Jackson no final dos anos 80.
E, dentro desse período, o que move a narrativa são os conflitos internos de Michael — especialmente sua luta para se desvincular artisticamente da família e trilhar seu próprio caminho.

Uma atuação que vai além da imitação
Grande destaque do filme, Jaafar Jackson entrega uma atuação impressionante no papel do tio. Não é só uma questão de aparência ou trejeitos — ele consegue capturar a essência de Michael em diferentes fases da vida, equilibrando genialidade, fragilidade e intensidade.
O filme acerta ao mostrar o artista em pleno processo criativo, levando o espectador para dentro da construção de clipes e músicas icônicas. São momentos que não só enriquecem a narrativa, mas também funcionam como um presente para os fãs.
Entre talento e dor: os conflitos por trás do ícone
Mesmo com o envolvimento direto da família, o filme surpreende ao não fugir completamente de temas delicados. Um dos pontos mais fortes é a relação conturbada com o pai, Joe Jackson, interpretado com intensidade por Colman Domingo.
O filme não suaviza esse lado: vemos um pai abusivo, controlador e movido pela ambição, com cenas duras — incluindo um momento de agressão física contra o jovem Michael que é realmente difícil de assistir.
Além disso, a narrativa também aborda questões como:
A insatisfação com a própria aparência
A obsessão por perfeição estética
O avanço do vitiligo
Esses elementos ajudam a construir um retrato mais humano e complexo, mostrando como esses conflitos contribuíram para moldar a figura excêntrica que o mundo passou a conhecer.

Família em segundo plano (talvez até demais)
Se por um lado o filme trabalha bem a dualidade entre pai e mãe — com ela sendo o refúgio emocional de Michael — por outro, os irmãos acabam ficando totalmente em segundo plano.
É impossível não notar: muitos praticamente não têm falas e funcionam mais como presença simbólica do que como personagens relevantes. Considerando a importância do Jackson 5, isso soa como uma oportunidade perdida.
Um espetáculo técnico digno do Rei do Pop
Tecnicamente, o filme é um show à parte.
A maquiagem, apesar de oscilar em alguns momentos, impressiona principalmente na transformação de Jaafar ao longo das diferentes fases de Michael, além da caracterização precisa de Colman Domingo como Joe Jackson.
Mas o grande destaque, sem dúvida, está nas performances.
Figurinos, coreografias, palcos e músicas são recriados com um nível de fidelidade impressionante. Algumas apresentações são exibidas praticamente na íntegra — e são de arrepiar. É o tipo de cena que faz você esquecer que está vendo um filme e sentir que está diante de um show.

Veredito final: uma homenagem que emociona e envolve
Michael é, acima de tudo, uma experiência. Um filme que equilibra homenagem e drama pessoal, focando em um recorte específico da vida do artista — e fazendo isso com competência.
Não dá pra chamar de uma cinebiografia totalmente “chapa branca”, já que aborda, dentro do período proposto, algumas das controvérsias mais importantes da vida do cantor. Mas também é claro que os momentos mais polêmicos dos anos 90 ficam de fora — algo que pode, quem sabe, abrir espaço para uma futura continuação.
No fim das contas, seja você fã ou não de Michael Jackson, esse é um filme que merece ser assistido na melhor sala possível, com o melhor som disponível.
Porque pode apostar: em algum momento, você vai se pegar cantarolando, batendo o pé ou balançando a cabeça ao som dos clássicos do Rei do Pop.






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