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Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo: um multiverso de verdade

Uma das grandes estreias do estúdio A24 do ano e o melhor filme sobre multiverso, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo (Everything Everywhere All at Once), dirigido pela dupla Daniel Kwan e Daniel Scheinert (Um cadáver para sobreviver), é estrelado por Michelle Yeoh (Shang Chi), Stephanie Hsu (Soo em Shang Chi), Ke Huy Quan (Os Goonies).

O filme conta ainda com presenças formidáveis de Jamie Lee Curtis (True Lies) e James Hong (Aventureiros do bairro proibido).


Sinopse

De acordo com a sinopse:

Uma ruptura interdimensional bagunça a realidade e uma inesperada heroína precisa usar seus novos poderes para lutar contra os perigos bizarros do multiverso.

O trailer não diz muito e a sinopse é cuidadosa o suficiente para apresentar apenas um panorama geral da história. Então, sobre o que é Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo?

É isso que vou contar sem dar spoilers.

Porém, preciso reforçar que é uma história tão boa, tão bem contada, que quando termina o sentimento é o de que provavelmente nunca veremos algo com esse mesmo ritmo, com esse roteiro. De fato, tudo acontece em todo lugar e ao mesmo tempo e não ficamos sequer confusos em como isso é colocado.

O verdadeiro multiverso da loucura?

A ideia de multiverso parte do pressuposto de vários universos que coexistem. Como eles surgem ou de que forma serão conduzidos é uma interpretação subjetiva, um quadro em branco.

Esses universos podem ser sobre galáxias diferentes, sobre sistemas diversos ou até sobre várias versões aqui das pessoas que vivem nesse planeta. Cada um de nós pode ou não existir em cada versão do universo, podemos ou não tomar as mesmas decisões ou ter a mesma aparência: aí vai depender das escolhas narrativas de quem irá contar a história.

Em Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo as escolhas são surpreendentes. Isso, essa é a palavra certa.

Imagem: divulgação

Para um filme que coloca o multiverso como norte, cada segundo é algo inesperado para o telespectador. Até a premissa de universos vai sendo moldada de uma forma surpreendente, inclusive a explicação sobre como as nossas versões podem estar conectadas umas com as outras.

Tudo está acontecendo de uma forma frenética, com novas coisas sendo trazidas ao mesmo tempo que as que já foram mostradas vão aperfeiçoando a própria forma. Em meio a isso existem cenas hilárias que vão arrancar umas gargalhadas muito honestas. Isso sim é o multiverso da loucura.

No meio de tanta maluquice, reconhecer o Huy Quan ainda é uma grande surpresa. Lembra dele em Os Goonies e Indiana Jones e o Templo da Perdição?

Imagem: divulgação

O multiverso mais palpável do que nunca

Se você consegue assistir filme de super-herói sem que isso interfira na suspensão de descrença, não vai encontrar problemas para assistir esse aqui. O paralelo com filmes do MCU em relação às situações fictícias é fácil de ser feito. 

Fato é que o pressuposto que existem milhões de universos paralelos simultâneos é factível em qualquer história. Comprei facilmente essa ideia em Vingadores: EndGame, Loki e Dr. Estranho e o Multiverso da Loucura. Porém, no mundo da Marvel, o acesso ao multiverso é relegado apenas a alguém com super poderes ou que com este esteja diretamente envolvido.

Em Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo, a ideia é que todos nós vivemos vidas em milhares de outros universos. Por meio de um processo simples de reviver uma situação de desconforto, podemos não apenas acessar esses outros universos a partir da nossa versão, como também podemos nos conectar com esses outros “eu”. 

Mas uma pergunta que fica é: porquê iríamos querer saber da vida das nossas outras versões nos multiversos? Talvez a resposta seja que vemos nisso uma forma de compreendermos melhor nós mesmos. 

Quando alguns de nós enfrentamos um problema nas nossas vidas ou estamos insatisfeitos, pensamos em como poderíamos ser se tudo fosse diferente, se cada escolha que nos trouxe até o nosso hoje fosse outra e como isso poderia mudar tudo o que conhecemos. Outras pessoas lidam de uma forma ainda mais profunda, pois mesmo sabendo as milhares de possibilidades dentro de um multiverso, permanecem infelizes e veem apenas um único caminho a seguir: aquele em que a resposta viável é a entrega ao nada, a completa inexistência.

Em meio a isso o filme fala sobre a importância de sermos gentis uns com os outros, sobre se importar com as pessoas e estar rodeado de pessoas que nos importam e como a vida é um “sopro”. Indo mais além, mostra como a nossa existência e tudo que conhecemos representa algo pequeno quando olhamos para o “todo”. 

É um filme catártico, é empolgante e é algo totalmente novo. O roteiro é incrível e todo o elenco está abraçando papeis incrivelmente autênticos. Isso é cinema, é aqui que está a magia.

Além de toda a loucura que esse filme traz, as provocações que são feitas de forma sutil dentro da narrativa colocam Tudo, em todo lugar e ao mesmo tempo como o melhor filme de multiverso já feito e um dos melhores filmes desse ano. 

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