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The Witcher – a Origem: o universo de Sapkowski cada vez mais morno

No último dia 25 estreou, na Netflix, a minissérie derivada de The Witcher chamada A Origem, inspirada na série de livros de Andrzej Sapkowski. Ele atuou, inclusive, como consultor criativo da série.

Organizada em quatro episódios, de 40 minutos a 1 hora, a série prometeu explicar o início da raça de Geralt. Dandelion, ou Jaskier (Joey Batey) é responsável por fazer o elo entre o universo que conhecemos e o que será contado. 

Para quem não é familiarizado com os livros, é importante informar que nem todos mencionam Geralt. Muito do que conhecemos do bruxo veio do desenvolvimento do jogo, que respeitou a origem do personagem mas foi além.  A série busca explorar histórias antecessoras e até aí ok, afinal, todos queremos saber mais sobre The Witcher. 

Porém, o que essa minissérie trouxe como contribuição? Explicarei com as minhas palavras.

Uma história promissora … mas pouco empolgante

Who Is Sophia Brown? 'The Witcher: Blood Origins' Actor Age, Instagram

A minissérie começa explorando o universo habitado majoritariamente dos elfos, especificamente o que existe ao redor do reino de Xin´trea. São elfos de todas as classes, organizados na sociedade por sistemas de clãs e com uma monarquia que, embora não tenha poder sobre todos, tenta manter o equilíbrio junto à autoridade de outros grupos. 

A história se passa cerca de 1.200 anos antes do mundo de The Witcher, numa época chamada Conjunção das Esferas, que foi um cataclisma que fez com que milhares de reinos/ mundos colidissem. Isso destruiu alguns mundos, criou outros novos e fez com que todos estivessem ligados. Esse evento também resultou na chegada de monstros no mundo “principal”, que vão desde criaturas até o próprio ser humano. 

O núcleo principal da jornada que é mostrada na série é formado por Fjall (Laurence O’Fuarain), Eile (Sophia Brown) e Scían (Michelle Yeoh). Eile e Scían tem um vínculo prévio, que parece ser algo poderoso mas se mostra superficial como boa parte das relações entre os personagens da série. Sobre Fjall e Eile não dá para falar sem spoiler, então coloquei em um capítulo separado aqui neste post.

As atuações não são marcantes, o que ajuda ainda mais para que essa série não seja sequer lembrada ano que vem. Para ser justa, Eile (Sophia Brown) e Meldorf (Francesca Mills) são interessantes.

Sophia, inclusive, é quem está dando voz às músicas da Cotovia (e que vozeirão). Sabe aquela música marcante que ela canta? Se chama The Echo and The River.

Por outro lado, Fjall (Laurence O’Fuarain) tenta vender um elfo atormentado que simplesmente é difícil de comprar. Syndril (Zach Wyatt), que para mim era um dos personagens mais importantes da história, passa batido relegado às sombras.

Balor (Lenny Henry) consegue apresentar suas ambições mas alguma coisa parece se perder no meio do caminho. Há algo vago na sua motivação e em como ele pretende alcançar seu objetivo que me fez ter pouca ou nenhuma empatia por ele e pelo papel dele na história. E Scían (Michelle Yeoh), que eu adoro, está mais uma vez no papel de uma sábia senhora. Merwyn (Mirren Mack) é uma que não quero nem mencionar. 

Um romance raso

Aqui contém spoiler sobre um casal que se forma na série. É previsível, está no trailer mas fica o alerta de toda forma. Caso não queira ler, por favor vá para o próximo capítulo.

Romance não parece ser muito o forte de toda essa série (sem exceção). Vou direto para o núcleo principal, Fjall e Eile. Ele, um elfo guerreiro que é expulso do Clã dos Cães e ela, A Cotovia, uma elfa barda que nega seu legado no Clã dos Corvos e passa seu tempo cantando em tabernas e fazendo justiça nas horas vagas. 

A questão é que o sentimento de amor entre os dois não convence. Tudo parece ter acontecido em quatro dias, e os dois parecem ter se aproximado somente nos dois últimos.

Além do lapso temporal que a série induz seguir – sem mencionar que passaram-se tantos dias ou semanas desde que a empreitada teve início – o pouco tempo de cena entre os dois não faz criar, no expectador, empatia o suficiente para querermos que os dois fiquem juntos. Fjall passa boa parte do tempo amargando o rompimento brusco com sua amada – do primeiro episódio da série – para, logo em seguida, estar sentindo coisas ainda mais intensas com uma mulher que, há poucos dias, havia partido para as vias de fato com ele.

Há ainda uma cena do casal, enquanto um dos dois está em processo de transformação, que é sofrível – pra não dizer absurda. Todo o mistério e ameaça que é colocado em torno da misteriosa transformação feita por magia vai se desfazendo e a gente percebe que não é tão sério assim. Essa é uma das piores quebras de expectativa da série. Para a minha infelicidade, ela será o cordão que irá justificar a última cena do quarto episódio. 

Um produto esquecível

Acho que essa é uma definição precisa sobre essa série. Explico o motivo.

Quando propôs-se introduzir uma história de origem relacionada a série de sucesso da Netflix, eu esperava que muitas informações fossem passadas para o espectador. Quais são os mundos transitáveis por meio dos monólitos? Porquê monólitos? O que é, de fato, a magia do caos? Quem é a entidade que conversa com Balon? De onde os magos tiravam a informação que poderiam criar uma criatura, e que ela teria poderes para combater outras criaturas?

Terminei a série com mais perguntas do que comecei e como ela não respondeu muita coisa, pra mim vai acabar passando batido. Não me entendam mal: eu me diverti assistindo, mas vi problemas que não me farão voltar nela, seja pelo motivo que for.

The Witcher: a Origem vale o seu tempo?

The Witcher A Origem: que horas estreia, história e tudo sobre - Mix de  Séries

Para ser honesta, vale somente se você quiser ficar por dentro de todo o cânone de adaptação das obras de Sapkowski. Um roteiro fraco, elenco mediano e efeitos especiais questionáveis, a série tem bonitas locações, boa trilha sonora e tem Jaskier

Num ano de séries fantásticas grandiosas como Anéis do Poder (PrimeVideo) e A Casa do Dragão (HBOGo), que apesar de temas populares também apostou em atores poucos conhecidos, e até de Willow (Disney+), com sua simplicidade divertida, A Origem vai passar batida. É uma pena, pois acredito que o público criou expectativa em aprofundar mais no universo de The Witcher

Isso me fez ficar cada vez mais descrente nas coisas que a Netflix põe as mãos. The Witcher: A Origem poderia ser tanto, mas acaba entregando menos. 

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