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Raya e o último dragão: uma história sobre laços

A mais recente animação da Disney ficou disponível para os já assinantes do serviço de streaming no dia 24/04 para aqueles que não quiseram pagar à parte pelo filme. A questão é: valeu a pena a espera? Vamos te dizer, sem trazer spoilers.

A sinopse diz o seguinte: “Há muito tempo, no mundo de fantasia de Kumandra, humanos e dragões viviam juntos em harmonia. Mas quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões se sacrificaram para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, rastrear o lendário último dragão para restaurar a terra despedaçada e seu povo dividido.”

A animação conta com a direção de Carlos López Estrada (Blindspotting) e Don Hall (Operação Big Hero) e roteiro de Adele Lim (Podres de Ricos) e Qui Nguyen (Vietgone).

As vozes que deram vida aos personagens merecem destaque especial. Kelly Marie Tran (Rose, Star Wars: Os Últimos Jedi) não escondeu a sua felicidade em poder interpretar Raya. A atriz é extremamente cativante e nos faz apaixonar por Raya nesse seu trabalho de estreia na dublagem.

O dragão Sisu (desculpe, não sei que gênero atribuir aqui, ou melhor, nem sei se deve ser atribuído algum) foi interpretado por Awkwafina, atriz que ficou conhecida pelo papel em “Oito Mulheres e um Segrego” e pelo Globo de Ouro que ganhou em 2019 por “A Despedida”. Gemma Chan, atriz conhecida por “Diário Secreto de Uma Garota de Programa” e pela Minn-Erva em Capitã Marvel, interpretou Namaari. Houve um cuidado em selecionar atores de origem oriental para os papeis no filme, que conta também com Sandra Oh (Grey´s Anatomy), Benedict Wong (Dr. Estranho) e Daniel Dae Kim (Lost e Hawaii Five-0).

Desde março o filme estava disponível no Brasil para aqueles que quisessem pagar R$69,90 à parte (além da assinatura anual do Disney+). Agora, já disponível para todos os assinantes, foi a nossa hora de conferir e ver de perto o que esse filme poderia oferecer.

A parte inicial do filme apresenta a história de Kumandra e as motivações que vão moldar a Raya no momento atual. Como a sinopse mesmo entrega, Kumandra era o mundo em que humanos e dragões viviam em harmonia, até que algo muito ruim foi crescendo nesse universo e os seres vivos que tinham contato com esse mal se transformavam em pedra. Foi preciso que os dragões, conhecidos por sua pureza e magia, se unissem para tentar salvar o mundo. Só que as coisas não saíram muito como o planejado e o mundo se dividiu em tribos, cada qual adotando o nome de uma das partes do dragão.

Preciso fazer um acréscimo aqui para ressaltar como é linda a animação que conta essa história e como ficou objetiva a construção das tribos, sua organização e filosofia.

Raya, da tribo Coração, é criada pelo pai órfão e vive numa tribo com recursos fartos e uma vida tranquila, um ambiente propício para se acreditar que as pessoas eram boas e deveriam merecer um voto de confiança, até que … deixam de merecer isso. Uma reviravolta nos acontecimentos nos leva à Raya dos dias atuais, já mulher, amadurecida e obstinada.

Para Raya chegar até seu objetivo ela precisa entender a sua jornada e principalmente, que ela vai muito além de sua meta. Assim a personagem constrói laços ao mostrar a ternura e coragem que dão fama à tribo Coração.

É uma história simples, com arcos interessantes e personagens cativantes. Não tem cenas musicais – o que também faz com que não tenha uma música marcante durante o longa – mas isso não afeta o filme em si.


Os personagens são bem construídos esteticamente. Meu porém foi com a concepção dos dragões, que, embora visualmente agradáveis, mais parecem pôneis. O dragão oriental tem uma construção diferente do dragão ocidental mas, ainda assim, faltou algo na aparência desses seres em Raya.

Ao contrário de filmes anteriores, Raya não precisa focar apenas em si para chegar onde ela quer: no fim de suas interações Raya se motiva pelo otimismo, que é alimentado por cada pessoa que cruza o seu caminho de uma forma positiva (ou negativa, mas que se transforma de maneira positiva depois). Isso faz com que Raya baixe a sua guarda, se abra e aceite receber ajuda dessas pessoas. Nessa parte me lembrou muito os trechos da Jornada da Heroína de Murdock.

Não é um filme de grandes reviravoltas e tem consequências previsíveis. Isso, pra mim, não deixa o filme ruim. A simplicidade com que a história é desenvolvida é um ponto positivo, embora talvez por ser simples demais não consiga fazer com que nos cativemos inteiramente por algum personagem (nem mesmo essa bolinha aí).


“Raya e o último dragão” é uma história sobre confiança, sobre como os problemas no relacionamento com outras pessoas surgem por não confiar uns nos outros. A mensagem é passada em vários momentos do filme e escancarada nas cenas finais.

Não é um “filmaço” mas também não merece ser diminuído a “apenas mais um filme da Disney”, que é como eu vi o live-action de Mulan. “Raya e o último dragão” é leve e divertido, apesar dos pesares.

Talvez seja também uma mensagem para absorvermos, no final das contas. Estamos “confinados” em uma realidade que nunca quisemos e a falta de contato humano, tal como tínhamos antes, tem nos deixado mais fechados e mais pessimistas. “Raya e o último dragão” vem com a mensagem que o otimismo e a confiança no próximo – a partir da presunção que as pessoas são boas – podem transformar o mundo. Nada mal para uma mensagem de um filme infantil, não é?

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