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Medida Provisória – Crítica sem spoilers

Medida provisória é um longa metragem brasileiro dirigido por Lázaro Ramos e conta com um elenco de peso com Alfred Enoch, Thaís Araújo, Seu Jorge, Adriana Esteves e participações especiais de Emicida, Renata Sorrah e Mariana Xavier, em uma adaptação da peça “Namíbia, não!” de Aldri Anunciação. Estreia no dia 14 de abril nos cinemas de todo o Brasil.

O filme é uma distopia futurista em que o governo brasileiro, como medida de compensar os negros pelo período escravocrata, decide enviar as pessoas com “melanina acentuada” para a África. A proposta, que inicialmente seria feita de maneira voluntária, logo ganha uma Medida Provisória tornando a expatriação compulsória, determinada por um órgão do governo responsável por reconhecer quais pessoas eram negras, ou “melaninadas”.

Antônio (Alfred Enoch) e Capitu (Thaís Araújo) são um casal de classe média, ele advogado e ela médica, que moram com o primo de Antônio, o jornalista André (Seu Jorge), em um apartamento simples no Rio de Janeiro. No mesmo prédio mora Kaito (Paulo Chun), um jovem nipodescendente aliado da família e Izildinha (Renata Sorrah), uma “cidadã-de-bem“. No início, os três protagonistas parecem não perceber a gravidade do acontecido, mas quando André e Antonio se veem encurralados no próprio apartamento e Capitu tem que fugir do hospital onde trabalha e acaba se vendo trancada em um “afrobunker” – espécie de quilombo do futuro -, eles acabam virando figuras de resistência. 

O roteiro do filme (Lázaro Ramos e Lusa Silvestre) é muito bem escrito, segue uma cronologia linear e acontece de maneira crescente em um ritmo adequado para o desenrolar da trama. O tema me parece mais apropriado que nunca e, sim, é um filme muito político, pesado e violento, embora não sangrento, porém extremamente necessário. Apesar de ser um filme considerado futurista, a ambientação e as caracterizações são bem atuais, o que considero ser um grande acerto, pois causa uma familiaridade, sugerindo que esse futuro não é tão distante assim. 

A atuação de alguns atores secundários parece um pouco destoante dos demais, mas a grande atuação dos protagonistas consegue contornar o problema de maneira satisfatória.

Os responsáveis pela trilha sonora Rincon Sapiência, Plínio Profeta e Kiko de Sousa, fizeram um trabalho excepcional e além de músicas próprias, a trilha ainda conta com Elza Soares, Baco Exu do Blues, Agnes Nunes, entre outras vozes relevantes no cenário brasileiro. 

Um filme que deveria ser assistido por todos o brasileiros e, principalmente, compreendido por todos.

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