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Maxxxine: o terror nunca foi tão POP

Até que ponto você estaria disposto a chegar para alcançar a fama?


Essa pergunta é um clássico clichê de vários filmes e com certeza você já ouviu isso em algum lugar.


Ainda assim, ele pode se transformar em uma obra que carrega autenticidade e muito vigor.


Esse é o caso da franquia de Ti West, que se inicia com o longa X, lançado em 28 de julho de 2022, passando por Pearl, de 9 de fevereiro de 2023 e se encerrando com Maxxxine.




trilogia de ti west

A trilogia aborda de forma simples e óbvia a busca desesperada pela fama e reconhecimento, e usa nas personagens Maxine e Pearl a imagem de mulheres obcecadas pelo sucesso.


Cada uma carrega um antagonismo caricato que é explorado na época em que vivem: Maxine lidava com o início da era rebelde e livre, representada no filme X como uma mulher iniciando sua carreira de atriz em filmes adultos. Sem medos, reservas ou pudor, ela consegue se tornar a final girl com grandiosos toques de ameaça e personalidade dúbia.


filme X com mia goth


Já Pearl lida com a vida bucólica e humilde de uma fazenda, sendo tratada com rigor e desprezo pela mãe, enquanto começa a ter devaneios sobre cinema.


filme Pearl com mia goth

Ambas iniciam uma trajetória simples, mas que cresce e explode em cena, levando a finais apoteóticos que demonstram o brilhantismo da evolução das personagens. E é aí que você entende que uma trama defasada pode se transformar em algo genial, descontruído e sim, NOVO.


X inicia sua proposta de inovar um subgênero muito copiado, trazendo na simplicidade da trama uma subversão gostosa de se ver. E Pearl mantém essa genialidade, nos transportando ao universo da outra personagem e nos surpreendendo com generosas doses de crueldade, sangue e violência.


Já Maxxxine encerra a franquia com mais sobriedade e sem grandes reviravoltas. Ela transmite um senso de final, mas sem antes brincar com gêneros, situações e clichês. Homenageando o terror com graça e espiritualidade.


maxxxine e a decada de 80


Na trama, Maxxxine vive em Hollywood, fazendo filmes adultos e strip-tease para sobreviver. Se passaram seis anos desde os acontecimentos de X e ela vive tranquilamente na cidade, buscando por oportunidades na indústria do cinema. É então que finalmente consegue o papel principal para estrelar a sequência de um filme de terror. Enquanto isso um serial killer ataca mulheres que estão relacionadas a Maxine, fazendo ela se tornar tanto a próxima vítima como suspeita pelos crimes.


Maxxxine é simples e divertido. Ti West não mantém a preocupação tida nos outros filmes de criar uma reviravolta surpreendente mesmo dentro de um subgênero tão explorado; aqui ele brinca com referências claras, clichês batidos e um bom senso de imaginação já datado.


As referências são um prato cheio bastante óbvio que brinca com a metalinguagem sobre a indústria do sensacionalismo, da fama e da busca pelo sucesso em qualquer instância. E para isso ele utiliza a vibrante década de 80 como a figura de linguagem que representa não só a história, mas tudo o que há por trás dela.

Não estamos em 2024 vendo um filme que aconteceu em 1985, estamos em 1985 assistindo a um filme de mesmo ano. West nos transporta para esse universo particular, com alegorias, cores, cenários e situações totalmente mergulhadas na década. Os efeitos de chuvisco e estática (característico das fitas VHS), a fotografia muitas vezes exagerada ou monocromática traz um senso de nostalgia e profundidade. E nesse momento ele abre caminho para vários estilos de filmes da época, brincando com o exagero dos gêneros e seus próprios clichês e isso é também refletido em alguns personagens.


maxxxine de ti west


Além do universo oitentista, há uma homenagem carinhosa aos clássicos de terror como, Psicose, O Iluminado e até mesmo Pânico: a direção certeira de TI West cria ângulos e tomadas de câmera que ajudam o filme a manter o seu tom antigo e enfatizar as referências de terror em cada cena. Tudo isso nos mantendo presos nas características exageradas da década de 80. Ele não se preocupa em manter sutilezas, todas as alusões são bem óbvias e claras, o que combina com a teatralidade de todo o filme.


referencias de terror maxxxine


É importante exaltar aqui duas atuações: Mia Goth que mantém toda a sua maestria ao levar Maxxxine para um ar mais experiente e soturno, mantendo o mistério e sutilezas da personagem; e Kevin Bacon, que ao contrário de Mia cria um personagem caricato e vazio, que se transforma em antagonista com um ar cômico e desesperado.


TI West tem um brilho na direção que faz o filme crescer em proporções diferentes: por mais que ele brinque com elementos clichês datados, o próprio filme vai em direção oposta e sai do básico, tentando ser diferente, com tons críticos sobre a indústria do cinema, fama, espetacularização de polêmicas, show e sucesso: a olhos desavisados Maxxxine pode ser enfadonho, mas é preciso mergulhar na brincadeira de West para vestir a camisa e entrar no seu universo.


Talvez essa tenha sido a própria armadilha de West: se preocupar demais com as alegorias e acabar deixando a história um pouco de lado. O final parece se perder em suas próprias metáforas e fica um pouco insosso, não tão digno do que já tínhamos vistos nas outras duas obras.


Maxxxine é um filme divertido, envolvente e cheio de referências que tornam a experiência mais rica e interessante. Apesar de se perder no final e ficar aquém das outras obras, ainda carrega consigo o carisma dos clássicos filmes de terror.

 

 


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