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Marte 1: sonhos e afetos

Marte 1, filme brasileiro dirigido pelo premiado diretor mineiro Gabriel Martins, estreou nos cinemas em 25 de agosto. É, possivelmente, umas as mais agradáveis surpresas desse ano.


Um filme nacional com a qualidade que Marte 1 é e com todo o elenco principal formado por atores negros cujo foco não está em crimes como tráfico ou escravidão. Isso é um marco histórico para o cinema nacional. Porém Marte 1 não para aí: recentemente o filme se tornou o representante brasileiro ao Oscar de 2023. 

O filme acontece no Brasil de 2018 e 2019 e conta a história da família Martins, a qual Deivinho sonha em fazer parte do projeto Marte 1 (de colonização do planeta). 

A família de Deivinho

O arco principal é formado por Deivinho, um garoto fã de astronomia que sonha em ser astrofísico, apesar de ter talento para o futebol.  Wellington é seu pai, ex-alcoolatra, um homem simples e muito honesto que torce para o Cruzeiro e sonha em fazer do filho um jogador profissional.  

Inclusive, quem é cruzeirense vai ter uma agradável surpresa nesse filme. Tem uma participação mais que especial nele. 

Eunice é a filha mais velha. Estudante de Direito na federal, se apaixona por uma mulher a qual decide morar junto, daí há um conflito sobre revelar sua sexualidade aos pais. Ela é uma apoiadora e grande amiga de Deivinho.

Técia é a mãe, uma zelosa dona de casa que ama a família acima de tudo. Faz trabalhos de faxina em casas de pessoas abastadas de BH. Diante de um acontecimento traumático, seu comportamento muda e ela passa a ficar amedrontada, temerosa que algo de ruim possa sempre acontecer. 

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O arco principal do filme é incrível. Muitas vezes eu tive a sensação de que Gabriel simplesmente entrou dentro de uma casa qualquer e ligou a câmera, tamanha a naturalidade na atuação dos atores. Por exemplo, uma cena de Tércia no forró consegue nos passar a transição da alegria, ao cansaço e depois ao choque, tudo com os olhares. 

Além disso, achei enriquecedor como a história está sendo contada sem estereotipar NENHUM dos personagens. O arco principal tem suas diversas nuances, a cena de sexo não é apelativa.

Até o Toquinho é trazido no filme como uma pessoa “normal”, sem o estereótipo homossexual ou alívio cômico.  Você está vendo uma pessoa com nanismo sendo mostrada como um ser humano digno, não como uma piada pra alguém rir. 

O olhar cuidadoso da periferia de Contagem

As locações deixam tudo ainda mais familiar, mais real. O filme conta a história de uma família que vive na periferia de Contagem (Minas Gerais), com cenas em Belo Horizonte, como o bairro Buritis, a Serra do Curral e a Rodoviária. 

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A casa em que a família vive tem uma série de elementos que me levaram ao passado, quando, na infância, frequentava a casa dos meus avós: os azulejos desenhados, os panos de prato, as plantas e as decorações. 

Inclusive existem cenas cujo teor crítico é parecido com Parasita, mas trazido para a nossa realidade. É uma história sobre resiliência das pessoas que sofrem diariamente injustiças, mas que estão sempre dispostas a recomeçar. 

Vale a pena ver Marte 1?

Esse filme vale sim o seu ingresso. As histórias são trazidas com uma sensibilidade e respeito enormes e isso acabou me emocionando em vários momentos. 

Marte 1 é uma história sobre otimismo, sobre esperança. Sobre lidar com seus próprios monstros e tentar superar as adversidades da vida. É, sobretudo, sobre a preservação de afetos, a importância da família e o amor que é o combustível para seguirmos caminhando. 

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