Exit 8: Entre o Suspense e o Tédio
- Tiago Moiado

- 28 de abr.
- 2 min de leitura
Em Exit 8, acompanhamos um homem comum, que se vê preso em um corredor de metrô aparentemente infinito no Japão. O objetivo parece simples: chegar à Saída 8. No entanto, as regras desse lugar desafiam a lógica. Para avançar, o protagonista deve observar minuciosamente o ambiente; se algo parecer minimamente fora do comum — uma luz piscando, um cartaz alterado ou um estranho comportamento — ele deve voltar imediatamente. Caso ignore as anomalias, ele é condenado a retornar ao marco zero, preso em um ciclo eterno de azulejos brancos e luzes fluorescentes.

A Origem: Do Viral para o Culto
O filme é baseado no jogo indie de sucesso The Exit 8, desenvolvido pela Kotake Create. O game definiu o gênero "anomaly hunt" (caça a anomalias), onde o pavor não vem de monstros saltando na tela, mas da sutil distorção da realidade em espaços públicos vazios. A simplicidade do jogo foi o que o tornou viral, transformando um corredor mundano em um quebra-cabeça de sobrevivência psicológica.
O Desafio da Repetição: Onde o Filme se Perde
O grande trunfo do material original acaba se tornando o calcanhar de Aquiles da versão cinematográfica. O suspense é construído com maestria nos primeiros 30 minutos. A tensão de "encontrar o erro" mantém o espectador atento a cada detalhe do cenário, criando uma paranoia compartilhada com o protagonista.
No entanto, o que funciona como uma experiência interativa de 20 minutos no computador torna-se uma jornada exaustiva em um longa-metragem.
Fadiga Narrativa: A estrutura cíclica faz com que o ritmo caia drasticamente no segundo ato.
O Cansaço Visual: Ver o mesmo corredor repetidas vezes, por mais que haja variações sutis, acaba drenando a paciência da audiência em vez de elevar o medo.
O Paradoxo do Loop: O filme tenta preencher o tempo com reflexões existenciais do protagonista, mas elas frequentemente soam vazias diante da necessidade mecânica de apenas "andar e observar".

Aspectos Técnicos
A direção de Genki Kawamura opta por uma estética clínica e estéril, utilizando lentes que acentuam a profundidade do corredor para evocar a sensação de agorafobia em espaços fechados. O uso de câmeras estáticas intercaladas com momentos de handheld (câmera na mão) quando o pânico se instala é eficaz, mas a paleta de cores excessivamente branca e fria contribui para a sensação de monotonia mencionada anteriormente.
Como o filme é quase um monólogo físico, o peso cai totalmente sobre o ator, Kazunari Ninomiya. Sua performance é sólida ao transmitir a transição da confusão racional para o desespero absoluto. Seus olhos buscam constantemente por falhas na realidade, e essa "atuação de olhar" é o que mantém o interesse mínimo nos momentos mais lentos. No entanto, a falta de outros personagens com quem interagir limita o alcance emocional da obra.

Exit 8 é um experimento corajoso que consegue capturar a essência visual e o desconforto do "estranho familiar". Infelizmente, a transição de uma mecânica de jogo para uma narrativa linear não foi orgânica o suficiente. O filme brilha na atmosfera, mas falha em manter o fôlego, tornando-se tão repetitivo quanto o próprio corredor que tenta retratar.
É uma obra interessante para entusiastas de terror psicológico e estética backrooms, mas pode ser uma prova de resistência para o público geral.
NOTA: 5/10





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