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Em nome do Pai, do Filho e da Casa Gucci

Lady Gaga, a estrela do filme, interpreta Patricia Reggiani, uma italiana que casou com Maurizio Gucci (Adam Driver) e, mais de dez anos depois da separação, ordenou o seu assassinato. Dirigido por Ridley Scott, o filme foi inspirado em fatos reais e no livro Casa Gucci: uma história de glamour, cobiça, loucura e morte, o que dá certa liberdade criativa para todos os envolvidos. Isso inclusive causou indignação na própria Patricia que reclamou de não ter sido consultada, embora Gaga já tenha esclarecido o motivo.

A Patricia da vida real se casou com Maurizio Gucci em 1973, filho de Rodolfo Gucci que detinha metade dos direitos da grife de mesmo nome. Rodolfo se opôs ao casamento por ver Patricia como uma interessada apenas na fortuna da família mas o casamento durou, tiveram duas filhas, Alessandra e Allegra, e se encerrou oficialmente com o divórcio em 1991. Com a morte de Rodolfo em 1983, Maurizio assumiu a empresa e distanciou-se do restante da família para administrar o negócio e tentar reerguer o império da grife. Depois disso, o casamento entrou em crise até que Maurizio saiu de casa anos mais tarde, em 1992, assumiu um novo romance, o que enfureceu Patricia e motivou que ela planejasse e executasse o assassinato dele em 1995.

O filme, com 2h48m de duração, é dividido em três partes: a primeira delas conta a história do relacionamento de Patricia e Maurizio, uma ascensão da protagonista. A segunda, como o casal foi ganhando poder na administração da empresa, o reinado. A última parte, a queda, mostra como a vida de Patricia começou a ruir e como os Gucci perderam o poder sob a multimilionária grife.

Gaga está em um dos papeis mais marcantes de sua recente carreira como atriz e no filme é possível entender tudo o que a atriz tem dito em entrevistas sobre “viver” Patricia e mergulhar inteiramente na personagem. Na sua preparação um pouco controversa, Gaga estudou Patricia para entender como ela [não] se encaixava na elitista família, seu incessante desejo em pertencer àquele ambiente e como ela, dentro de sua ambição, está disposta a fazer muita coisa para se tornar mais poderosa. A Patricia de Gaga ama, de maneira quase doentia, o marido, além de todas as coisas que a riqueza dele pode oferecer mas ela não está ali apenas pelo dinheiro: é ele e o universo dele que ela quer ter para sempre. A Patricia de Gaga pode soar “barata”, mas indago se não era essa a intenção (nas roupas, no cabelo e principalmente na imitação do sotaque).

Outras sutilezas estão muito além do que é verbalizado pela atriz: a forma como ela persegue Maurizio com o olhar, como se ele fosse um prêmio ou algo extremamente valioso, ou ainda, quando Patricia está apenas simulando ser uma pessoa extremamente agradável são alguns destes exemplos. Todas as suas cenas são formidáveis: ora você ri, ora você se espanta e ora você sente raiva, mas certamente em todos os momentos você irá ficar impressionado.

Adam Driver é um excelente ator com um importante histórico de trabalhos na última década e, para a surpresa de ninguém, ele não decepciona nesse. De ingênuo jovem que acreditava no amor e não se importava com os negócios da família – apenas com as regalias que isso lhe proporcionava – ele transita por diversos desenvolvimentos até chegar em um Maurizio amadurecido pelas amargas experiências da vida e pelas polêmicas da família.

Jeremy Irons (Rodolfo Gucci) tem forte participação na primeira parte do filme, já que a segunda parte da retomada dos negócios por Maurizio após a morte do pai. O ator entrega uma baita atuação de alguém já a beira da morte. Al Pacino (Aldo Gucci), tal qual todo papel de italiano que ele faz, ainda consegue construir uma sensibilidade ímpar para cada um de seus personagens.

Gaga e Driver entregam atuações incríveis ao lado de Irons e Al Pacino. Os demais papéis estão longe de serem memoráveis – principalmente o de Jared Leto, que interpreta Paolo Gucci, e Salma Hayek. Alguns destaques especiais para Tom Ford e Anna Wintour que são lembrados com carinho no filme – até porque Ford foi o responsável pelo renascimento da marca.

Falar em família Gucci e polêmica é quase uma redundância, sendo sincera. Foram as tantas polêmicas da família e suas extravagâncias na condução dos negócios que levou a grife a chegar perto da falência e só ser recuperada após a morte de Maurizio (oportunidade em que a empresa abriu capital e saiu inteiramente das mãos da família).

É um grande filme que pode levar uma indicação ao Oscar por melhor atriz, embora acredito que tenha poucas chances de ganhar. Fato é que ela entregou tudo aqui.

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