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Elvis – A Obra performática a altura do Rei

Biografias de pessoas icônicas sempre são fascinantes, principalmente daquelas cujo sucesso ecoarão na história para sempre, é um deleite saber as nuances e detalhes da vida e carreira dessas estrelas, um prato cheio para os mais curiosos, um gênero que atrai muito público para o cinema, não é toa que Hollywood de tempos em tempos lança filmes desse tipo, basta olhar para os anos passados e listar obras como Ray, Johnny & June, Bohemian Rhapsody, Rocketman entre tantos outros. E não diferente ficaria de fora uma grande produção para contar a história do Rei do Rock, Elvis Aaron Presley, este que já teve sua vida contada outras vezes, mas não tão grandiosa, poderosa e diferente como no filme de 2022.

Dirigido por Baz Luhrmann, conhecido por Romeu e Julieta, Moulin Rouge!, O Grande Gatsby e Austrália, já nos faz esperar algo bem autoral, tendo como referência seus filmes anteriores o que vemos é algo bastante exagerado e magnânimo, o que ao meu ver combina e casa muito bem o com a figura de Elvis. O design de produção, o figurino e as apresentações do Rei estão à altura do ícone. Por vezes durante a projeção me perdia, não sabia se estava assistindo a um filme ou a um show, principalmente na fase que demonstra Elvis em Vegas, é simplesmente incrível. A fotografia e a montagem te envolvem por completo, o uso de inserções gráficas na edição ajuda a contar de forma mais didática a história que sem dúvidas é a melhor direção de Baz até então.

Mas toda esta estrutura não valeria de nada se não fosse a grandiosidade de Austin Blutler, ele não atua aqui, ele simplesmente encarna e incorpora Elvis de forma magistral, desde os pequenos trejeitos até a icônica forma de dançar que Presley imprimia em suas apresentações, sem sombra de dúvidas o maior destaque desse filme é a interpretação do ator que é digno de Oscar, apesar de estarmos longe do circuito de indicações, fico na torcida para que a Warner em tempo oportuno refaça uma campanha de lembrança da película, as chances de prêmios são enormes.

Falando em atuações cabe ressaltar a presença de Tom Hanks que interpreta muito bem o polêmico empresário Coronel Tom Parker, esse que talvez seja para mim o maior diferencial desta biografia comparada as outras já feitas. Outrora, as histórias eram focadas em Elvis onde seu empresário é meramente um coadjuvante, aqui Hanks divide o protagonismo com Presley que por vezes pode causar até uma certa estranheza no espectador que vai ao cinema esperando um filme totalmente focado no Rei.

Outro ponto relevante no filme é a trilha sonora, claro, uma obra focada em um astro da música não poderia ser insuficiente, os ritmos são incríveis, desde aqueles que inspiraram o cantor começando pelo Gospel, Rhythm and Blues, Rockabilly e Country, além de misturas adaptadas aos ritmos atuais como o Hip-Hop, tudo muito bem usado de forma primorosa para demostrar a importância de Elvis em apresentar aos brancos a música preta americana. O filme valoriza esse fato. Presley, um caminhoneiro pobre e branco teve suas bases musicais firmadas nas igrejas e nos clubes dos bairros negros de Memphis, onde conheceu B.B King entre outros músicos que foram fundamentais para a sua formação, em uma época em que as leis de segregação eram rigorosas, Elvis ousou em romper a barreira do preconceito. Além de ser um branco cantando black music ele inovou performaticamente por meio de sua dança trazendo uma sensualidade antes não vista, conquistando uma juventude que estava muito presa as regras tradicionais da época, algo que causou bastante controvérsia naquele tempo, este período é muito bem retratado.

Por fim, Elvis é uma obra performática a altura do Rei, se você é fã irá amar a presença de Austin Blutler que é o ponto alto do filme junto a direção exacerbada de Baz Luhrmann que casa muito bem com a história do cantor. Para mim, sem dúvidas, um dos melhores filmes de 2022, uma excelente adaptação biográfica!

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