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Crítica: The Handmaid’s Tale

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Esta série da plataforma HULU (que ainda não chegou ao Brasil) é baseada no livro homônimo de Margaret Atwood de 1985. Foi lançada em abril ganhou terreno e fãs ao longo do ano até chegar ao Emmy 2017 onde foi reverenciada como a grande vencedora da noite ganhando 6 prêmios : melhor atriz, (Elisabeth Moss) melhor Atriz coadjuvante (Ann Dowd), melhor Atriz Convidada (Alexis Bledel), melhor roteiro (Bruce Miller), melhor direção (Reed Morano) e melhor série dramática tornando-se a primeira produção de um serviço de streaming a faturar o prêmio mais desejado do evento. O que levou o Paramount Channel a anunciar através de seu Twitter e site oficial que irá exibir a série por aqui no primeiro semestre de 2018.

O sucesso de “The Handmaid’s Tale” se deve principalmente à sua temática que instiga discussões acaloradas e interessantes em meio ao tom assustador devido à contemporaneidade e plausibilidade dos eventos retratados. Após um golpe ocorrido nos Estados Unidos o regime democrático é abolido e estabelece-se um regime totalitário teocrático. Os poderes político e religioso andam lado a lado e os comandantes (grupo que atualmente controla o Estado e que servem ao “Olho”- organização que engendrou o golpe) regulam também os preceitos morais, espirituais, educacionais e culturais. Os primeiros movimentos deste grupo são renomear o país que agora se chama Gilead (lugar seguro e pedregoso segundo o livro sagrado do cristianismo) e estabelecer uma versão extrema de patriarcado tomando como base uma visão religiosa ortodoxa de cunho duvidoso, pois usam a religião como justificativa para a tirania.


A implantação deste novo sistema social é justificada por constantes “ataques terroristas” e a uma drástica redução da taxa de natalidade no mundo moderno. As mulheres são o principal alvo das intervenções dentro deste novo modelo tendo em vista que além de terem seus direitos civis, políticos e sociais retirados, tornam-se propriedade do Estado e são forçadas a servirem de acordo com as suas novas funções sociais. Elas são dividas em castas discriminadas por cores de acordo com o papel/ofício que devem desempenhar: as esposas dos comandantes usam a cor verde (associada à riqueza e à esperança) gerenciam a casa e apoiam os comandantes em todas as ações destes, as Marthas usam a cor bege (passividade) e cuidam dos afazeres da casa dos comandantes, as Tias usam marrom (conservadorismo,disciplina) e são responsáveis por doutrinar e treinar as aias para sua “missão” e as Aias usam vermelho (vitalidade) e branco (pureza, limpeza) são desprovidas de opiniões e desejos sendo obrigadas a copular com os comandantes e gerar filhos para suas esposas estéreis. Destaca-se ainda a vestimenta dos homens de Gilead que usam a cor preta (poder e elegância) a diferença está apenas no corte das mesmas que separa homens comuns dos comandantes. Estes últimos usam sempre terno o que traz maior austeridade aos mesmos.


A estória da série é contata pela perspectiva de June/Offred (Elisabeth Moss de Mad Men) que pertence à casta das Aias. Ela é levada para a casa do comandante Fred (Joseph Fiennes de Shakespeare Apaixonado) e sua esposa Serena Joy (Yvonne Strahovski de Dexter). Nota-se que além de tudo que foi retirado destas mulheres como já citado anteriormente, não restou nem mesmo seu nome. Isto reforça a opressão feminina. Quando uma aia é enviada para a casa de um comandante ela é nomeada com o nome deste homem, do seu mestre (de ou do Fred, de Glenn, etc…) “ela é dele” durante o período necessário. Ao cumprir sua missão naquele lar ela é encaminhada para o próximo onde deve obedecer ao novo comandante e sua esposa e participar da “cerimônia” na qual é forçada a ter relações com seu mestre a fim de receber “o fruto abençoado”.

As aias funcionam nesta sociedade como mulheres que ao mesmo tempo tem o “poder maior de gerar a vida”, porém, não gerem a própria vida. São vistas como sagradas, limpas e especiais o que é evidenciado também em suas vestes que se assemelham às irmãs de caridade e nos chapéus inspirados na vestimenta Amish que escondem os cabelos e apagam as individualidades, mas  emolduram o rosto dando destaque a ele. Ao mesmo tempo são objetos de desejo e luxúria dos homens ao serem colocadas como um enigma de pureza e perfeição. Outra função social destas mulheres é a de participarem do julgamento dos que são contrários ao regime imposto sendo elas as que efetuam as sentenças designadas pelas Tias.

Através de flashbacks de June e dos demais personagens entendemos como as mudanças foram ocorrendo de forma gradativa até culminar com o panorama mostrado na série de total supressão da existência das mulheres como seres humanos, justificada pelos comandantes como uma necessidade de fazer o que é “melhor para todo mundo e não o que é justo”. Outras personagens importantes são Ofglen, interpretada por Alexis Bledel, a eterna Rory de “Gilmore Girls” que tem atuação impecável; Moira, amiga de Offred, papel de Samira Wiley (Poussey de “Orange is the New Black”); Janine, outra amiga de Offred vivida por  Madeline Brewer e Luke, antigo marido de Offred, papel de O-T Fagbenle (“Looking: O Filme”).


Os produtores executivos Daniel Wilson e Fran Sears e o showrunner Bruce Miller optaram por uma abordagem essencialmente feminina neste projeto e contaram com 4 mulheres entre os 5 diretores responsáveis pela condução dos trabalhos. Isto é bastante significativo e é notável no tom da direção realizada. Quanto aos demais aspectos técnicos percebe-se um cuidado com a qualidade do produto apresentado em tela, tudo está ali para enriquecer a trama e contar a estória repleta de significados. A fotografia belíssima de Collin Watkinson reforça o tom sombrio, mas sempre deixa um feixe de luz simbolizando a esperança que permeia toda a série. O figurino de Ane Crabtree reforça o controle do estado e já foi detalhado anteriormente neste artigo. Como ocorre esta volta ao passado retratada pelo figurino, objetos de cena e fotografia faz-se necessário que algo nos remeta ao presente e esta é a função da trilha sonora. Ela é bastante atual e serve como elemento de quebra da “suposta sensação de que isto está no passado” e alerta para a proximidade dos crimes retratados na trama que infelizmente são praticados corriqueiramente, sejam na Coréia do Norte, em países Islâmicos, nos EUA ou até mesmo no Brasil.


O último ponto a ser destacado da melhor série do ano é a atuação de Elisabeth Moss que faz aqui o papel de sua vida! A forma como a estória é apresentada pela perspectiva de June, traz uma proximidade realista, necessária e ao mesmo tempo aterrorizante. Vivenciamos seu sofrimento e entendemos sua indignação mesmo que de forma silenciosa retratada em seu olhar extremamente expressivo. Acreditamos plenamente na sua luta pela sobrevivência em meio à solidão que lhe é infringida e torcemos com lágrimas na alma e coração apertado por um desfecho favorável. É uma estória de resistência, fé e perseverança. É um retrato das mulheres como seres humanos com todas as idiossincrasias inerentes a isto, portanto, as percepções e sensações que a série traz para o público feminino são cercadas de significados muito específicos que tocam profundamente e dizem respeito ao “SER MULHER”.



Sirvo 5 pães de queijo bem quentinhos para a melhor série de 2017!!!







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