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Crítica – Star Wars: The Last Jedi

Dividirei essa crítica em duas partes: uma sem spoiler e outra com, de modo a passar algumas coisas para quem ainda não assistiu.

Bem, não precisa reforçar aqui o retorno estrondoso que Star Wars conseguiu nos cinemas em 2015, com uma bilheteria monstruosa. O filme, redondo, com muito “fan service” e um enredo aproveitando vários elementos de “Episódio IV – A Nova Esperança”, mesmo não tendo agradado a todos, serviu para atrair novos fãs à franquia e para reacender a faísca no coração daqueles que tem Star Wars como amor.

Muitos dos que viram o Episódio 7 nos cinemas tiveram a oportunidade de ver a Trilogia Prequel também. Quando anunciaram novos filmes da franquia, o receio maior era de presenciarmos um novo “A Ameaça Fantasma”, ao passo que tivemos, por outro lado, uma ótima surpresa. Não parou por aí: “Rogue One: A Star Wars Story” veio no ano seguinte se destacando como um dos melhores filmes de Star Wars de todos os tempos. Por isso, meus caros, nada mais que justo de existir uma grande expectativa com “Episódio VIII – Os Últimos Jedi”. Não é pra menos.

Rian Johnson é um diretor conhecido por trabalhos autorais, como “Looper Assassinos do Futuro” e “Os Vigaristas”. Porém, na minha humilde opinião, o diretor merece muito respeito por ter sido responsável pela direção de um dos melhores episódios de uma das melhores séries de todos os tempos: “Breaking Bad”, Temporada 5, Episódio 14: Ozymandias.

Feitas as apresentações, vamos ao filme.

Não é um filme feito para te dar respostas às perguntas criadas no Episódio 7, tampouco para atiçar sua curiosidade com novos elementos introduzidos. Dificilmente você sairá do cinema repensando em origens ou teorias sobre os personagens.

Não é um filme sobre os Skywalker. Também não é o filme que o título sugere, sequer o filme que o pôster sugere. Esse também não é um filme sobre Luke Skywalker, tampouco uma despedida de Carrie Fischer. Também não é um filme sobre a Rey, Kylo Ren ou Finn. Talvez por isso você pode sair do cinema mais confuso do que entrou, com uma sensação estranha, mesmo tendo entendido todo o filme e as suas ideias. Mas isso pode não ser ruim, pois mesmo assim você vai rir, vai chorar, vai se emocionar e vai se empolgar e no final é isso que pode fazer valer o seu ingresso. A verdade é que esse não é o filme que se esperava ver nos cinemas, mas serviu para dividir bem os fãs: existem os que gostaram, os que estão divididos e os que não gostaram (nesse grupo eu me incluo). Talvez o melhor seja você assistir esse filme sem qualquer expectativa em relação a um filme de Star Wars.

Quem sabe, assim, você não saia satisfeito?

VEREDICTO (COM SPOILERS)

Feitas as considerações aí em cima, preciso dizer que saí triste do cinema. Eu chorei nas cenas da Carrie Fischer, ri de algumas das piadas, me diverti na cena de luta entre Rey e Kylo Ren porém saí do cinema sem saber o que sentia.

Quando a cabeça esfriou e pensei melhor sobre o filme, vi que de fato eu não gostei mesmo, do filme como um todo. Não saí do cinema mexida, emocionada, extasiada … saí confusa, sem entender o que era aquilo que paguei pra assistir. Fui para o cinema com as expectativas baixas. Talvez, dessa vez, a vida me distraiu e me fez ter que pensar em muitas outras coisas que não Star Wars, e só fiquei empolgada mesmo quando sentei na cadeira do cinema. Então a empolgação e a expectativa não me atrapalhou no meu julgamento.

O ritmo começou lento e a expectativa já é quebrada logo de cara quando a primeira cena não é a Rey entregando o sabre para Luke. Pausando a cena dela estendendo a mão para o Jedi, em outro lado da galáxia a Aliança Rebelde se organizou numa frota, fugiu daquele planeta, foi perseguida pela Primeira Ordem e enfrentou alguns deles, e quando isso a Rey ainda estava lá na ilha com a mão estendida. Justificar que o tempo é relativo a depender da galáxia é forçar um conceito que nunca foi trazido no universo Star Wars; todos os filmes acontecem no mesmo ritmo de tempo.

Passando para o núcleo da ilha, temos uma das histórias que é desenvolvida para no final, não dar em nada. Rey procura Luke para treiná-la e Luke passa a ela conceitos sobre a Força, que ela está em todas as coisas. Rey aprende isso COMO SE NUNCA TIVESSE OUVIDO ISSO ANTES, porém tentando sanar sua breve amnésia, lembro a vocês que Maz Kanata já havia explicado tudo isso a ela no filme anterior, aproveitando, claro, que Rey já conhecia a lenda Jedi e a religiosidade da Força.

Esquecendo que essa parte do episódio 7 aconteceu, Rey insiste para ser treinada e ao passar a ela dois ensinamentos que, aparentemente, ela já dominava, o treinamento se encerra e ela sai da ilha levando para estudo os livros que Luke guardou por tanto tempo. O mais interessante desse núcleo é saber que a Rey possui um pé no lado negro e passa a ter uma conexão com Kylo Ren.

O núcleo do Kylo Ren continuou ruim pela falta de respostas. Temos um vilão em construção e não temos a mínima ideia de qual a motivação dele. O que Snoke fez para conquistar Ben Solo? Quem era Snoke e porque Ben Solo acreditou nele e desistiu do treinamento Jedi liderado pelo único Jedi da galáxia? De onde vem o ódio de Kylo Ren?

Era para ele ter sido treinado por Snoke, para completar seu treinamento sith, mas não … isso foi tratado como se nunca tivesse existido. Snoke, que tem Kylo Ren como um pupilo, o humilha e lembra que ele nunca será como o avó, o que leva Kylo a destruir um dos símbolos que o tornaram caricato. Agora ele não passa de um menino revoltado com roupa preta e raiva, sabe-se lá de quem ou de quê, sem todo o misticismo que girava em torno da máscara. Não venha me dizer que farão um livro ou HQ para contar a história do Snoke porque o filme precisa fazer sentido sozinho, dentro das narrativas que ele mesmo cria. Ter de explicar as coisas em entrevistas ou em outras mídias só mostra o quanto a narrativa fracassou.

E porque não mencionar uma aparente falha na narrativa, referente a destruição do templo Jedi? No Episódio 7 nos é mostrado que os Cavaleiros de Ren destroem o templo e Luke assiste tudo aquilo, ao lado do seu eterno amigo R2. Kylo está com um dos sabres do Luke na cintura e, pelo visto, vamos continuar sem entender isso. Por outro lado, o que o Episódio 8 nos mostra é diferente: Kylo, ainda Ben Solo, estava dormindo quando foi surpreendido por Luke, que tentou assassiná-lo. Isso deixou Kylo assustado, fazendo com que ele derrubasse a cabana “em sua defesa” , destruísse o templo e fugisse com outros 12 colegas, matando os demais.

E porque não falar de Luke, que perdoou seu pai por ter visto nele um pouco de luz, mas ao se deparar com o seu sobrinho em conflito entre qual lado seguir, já decidiu de plano que deveria executá-lo? Parecem personagens diferentes interpretados por Mark Hamill.

A projeção feita por Luke, que nunca quis sair da ilha e cumpriu o que prometeu, foi um dos auges do filme. Nada daquela projeção é materializável (ele sequer é alvejado pelos tiros dos ATs), exceto os dados da Milenium Falcon que são apresentados visualmente num filme pela primeira vez e de repente todos sabem o que ele representa. Os dados se materializam, são segurados pelo Kylo Ren e depois somem. Entendi que é a carga dramática da cena, mas sério que não tinha como fazer algo melhor? Ao encerrar sua projeção astral, Luke, que estava flutuando numa pedra na ilha, cai fraco. Depois arruma forças para se levantar, sentar e morrer. Era mais fácil continuar deitado, né?

Voltando a falar em narrativa, o filme não corrobora as expectativas criadas com o Episódio 7 e tampouco as próprias expectativas que ele mesmo cria! Numa cena memorável entre o Yoda noinha (da Trilogia Clássica e Luke), é passado que Luke deve ensinar a Rey sobretudo a partir do fracasso. Esperamos a partir daí uma baita lição de moral que… nunca acontece.

Nem preciso mencionar também a extensa cena do Planeta Cassino e o núcleo de Rose e Finn. A impressão é de que Rose foi inserida no filme apenas para ser par romântico do Finn e assim, ele não ficar com a Rey. A verdade é que Star Wars não precisava e nem precisa de romance para se sustentar, então essas cenas ficaram razoáveis de se assistir (e para mim, cansativas). Aliás esse núcleo é direcionado a missões inúteis que perdem todo o sentido: aprontam uma estratégia para conseguir o tal descodificador, saem de lá com o cara errado e quando finalmente conseguem entrar na nave imperial para desativar o rastreador, a nave mãe é abandonada e basicamente destruída. Então toda essa aventura foi em vão, não é?

O filme é desnecessariamente denso, com piadas excessivas e alguns pontos que tem agradado muito a crítica. Porém, acima de tudo, é um filme de Star Wars e precisa manter viva essa chama, manter vivas as lutas de sabre, a força e o eterno embate entre Império e Rebeldes, o que acaba fazendo também. Temos também Leia voando, os mamilos de Kylo Ren, o garoto “Harry Potter” na última cena do filme, a Mas Kanata numa participação ínfima simulando uma obscenidade com o cano da arma … confesso que me perdi e nem mais o que é Star Wars, depois do que esse filme apresentou.

Essas são algumas das várias falhas que vi em “Os Últimos Jedi” e que me impediram de amar o filme, de achar que ele era uma continuação fiel da linha de história desenvolvida no filme anterior. Algumas cenas não irretocáveis, como o diálogo entre Luke e Leia que me fez chorar mais do que chorei esse ano inteiro. O diálogo entre Yoda e Luke não merece ter sequer uma vírgula mudada, foi realmente bonito aquilo. A cena em que Kylo leva Rey para Snoke é também muito boa, cenas de luta muito bem coreografadas e visualmente muito bonita. Os porgs atingem o fim a que se prestam: são galinhas gordas voadoras mas engraçadas e, embora sem R2D2 fazendo e acontecendo, temos agora um outro droid que é responsável por salvar os humanos das piores situações possíveis, o BB8 (percebe que aqui só trocou o droide e manteve a mesma ideia que foi criada com o R2). Aliás, o filme é impecável na fotografia, difícil apontar defeitos ali!

Então é isso gente. Vocês podem concordar comigo ou não, e podem até concordar e achar que Os Últimos Jedi foi um bom filme, e está tudo bem. Está tudo bem ter odiado o filme, ter amado ou ainda estar na dúvida sobre o que pensar. O filme está aí e é ele que temos até 2019, e como diz a mensagem: “deixe o velho morrer para dar lugar a algo novo”. Melhor mesmo esquecer tudo de Star Wars que existiu até então e abrir a cabeça, pois o que veremos agora não precisará seguir qualquer regra estabelecida anteriormente, e a Disney deixou isso bem claro nesse filme.

Escute também o nosso podcast sobre tudo que discutimos sobre o filme clicando aqui:


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