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Crítica: Extraordinário

“Grande é aquele cuja força conquista mais corações pela atração do próprio coração.” (RJ Palacio)

Continuando com a nova vertente em Hollywood: a leva de adaptações de obras literárias para o cinema, Wonder (Extraordinário) chega em 7 de Dezembro às salas de projeção brasileiras. Baseado em um romance infantil redigido por Raquel Jaramillo sob o pseudônimo R. J. Palacio a obra foi publicada em 2012 e teve sucesso instantâneo chegando a figurar na lista dos mais vendidos do The New York times por 32 semanas e vencendo o Mark Twain Readers Award em 2015.

Extraordinário conta a estória de August Pullman (Jacob Tremblay) que nasceu com a síndrome de Treacher Collins (disostose bucomaxilofacial) cuja principal característica é uma  deformação facial. Acompanhamos sua trajetória desde seu nascimento até a idade de 10 anos, nesta fase sua mãe Isabel Pullman (Julia Roberts) decide que o filho deve ir para uma escola tradicional (ela o ensinava em casa) a fim de mudar seu círculo de convivência atualmente  restrito à família. No começo a narrativa acontece sob a perspectiva do pequeno garoto que fala de sua condição com certa propriedade tendo em vista os inúmeros procedimentos cirúrgicos (27 no total) aos quais foi submetido inicialmente para salvar sua vida e posteriormente para trazer harmonia a seu rosto. Ele aprende a conviver com suas características, conta com uma imaginação fértil incentivada principalmente pelo pai Nate Pullman (Owen Wilson). O menino tem forte identificação com o espaço e por vezes se vê como um astronauta e leva em suas aventuras um capacete sempre consigo. Logo na primeira cena há referências a David Bowie e Star Wars. (sim seus “geek maluco”, temos muitas referências a Star Wars!!!)

O relato prossegue sob outros pontos de vista: da mãe (que abandona sua carreira profissional para dar atenção incondicional ao filho), sua irmã Olívia (Izabela Vidovic) (que aprende a lidar com o desvio do foco da atenção dos pais para o irmão e lida com questões pertinentes à adolescência) e dos amigos da escola (que não conseguem esconder a princípio o incômodo de lidar com a diferença). Isto traz um novo entendimento da estória principal e permite o aprofundamento de personagens até então secundários, mas que tornam-se fundamentais ao descobrirem os sentimentos despertados por Auggie.


O maior desafio que o garoto enfrenta na escola é o olhar invasivo das outras crianças que o julgam e praticam bullying todos os dias. Ele tentar estabelecer-se apesar destes olhares e forma relações de amizade em meio ao ambiente hostil. Auggie tem como trunfo sua inteligência que usa para destacar-se. Aos poucos ele aprende a lidar com o bullying de uma forma diferente contando com os ensinamentos de seu professor Sr Browne (Daveed Diggs) que introduz preceitos a serem seguidos a cada semana tais como: Escolha ser gentil. O resultado desta lição de vida extrapolou a ficção e ganhou “o mundo real” através do lançamento de uma campanha antibullying no site www.choosekind.tumblr.com da qual milhares de crianças já participaram e ajudaram a espalhar a mensagem de  Extraordinário.

O diretor Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível) nos conduz por esta jornada de sentimentos de forma muito eficiente. As doses de humor e drama estão muito bem equilibradas, a atuação do elenco mirim é sensível e verdadeira, destaque para Jacob Tremblay que rouba a cena a cada aparição e encanta com uma atuação expressiva (ele é carismático, apaixonante e nos emociona profundamente!) e quando contracena com Julia Roberts podemos detectar a química perfeita entre os dois. Izabela Vidovic também merece destaque ao trazer uma roupagem sensível à irmã do protagonista (Via) e fugir do clichê da garota preterida pelos pais e ser acolhida pela avó Sônia Braga que tem papel fundamental na vida da garota.

A película apresenta reflexões para todas as idades e é feito sob medida para tocar o coração das pessoas que irão identificar-se com uma belíssima mensagem de superação, coragem, gentileza, grandeza, amizade e amor. Ele enaltece a máxima de Antoine Saint-Exupéry: “o essencial é invisível aos olhos”. Lembrem-se de levar a caixa de lencinhos, lágrimas são inevitáveis… O filme é lindo, inesquecível e cativante!


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