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Crítica | Dungeons and Dragons – Honra entre Rebeldes

Honrando a nostalgia de Caverna do Dragão e o RPG bem representado.

Antes de começar, preciso admitir que demorei quatro dias para botar as mãos no teclado e escrever a resenha que você lê agora. O motivo nem foi o feriado de semana santa ou outros trabalhos, mas sim para esperar o hype baixar e não deixar a emoção de fã falar mais alto. Como jogador de RPG da década de 90, alimentava a expectativa de um dia poder ver um filme (bem feito) com os personagens, monstros, magias e tudo que um bom mundo de fantasia oferece. E esse dia chegou!

Dungeons and Dragons — Honra entre Ladrões é o longa que todo jogador de RPG (principalmente de fantasia medieval) sonhava em ver nas telas. Dito isso, é preciso contar que há 3 as versões anteriores do filme (uma de 2000, outra de 2005 e última de 2012) e que todas foram um fracasso. Mas D&D – HeL conseguiu uma proeza mágica que foi agradar a “gregos e troianos” (aff… malditas frases feitas, mas aqui, caiu como uma luva… Droga! Acabei usando outra).

A nova produção é dirigida pela dupla John Francis Daley, Jonathan M. Goldstein, que já trabalharam juntos em várias outras produções, como “The Flash”, “Homem Aranha De volta ao Lar”, “A Noite do Jogo”, “Quero matar meu chefe 2” entre outras. E o que os dois perceberam era que um filme baseado em um RPG não poderia somente agradar aos jogadores, mas também ao público familiar. Parece uma ideia meio óbvia, mas funcionou muito bem e nosso queridinho D&D chegou arrebentando nas bilheterias: no momento que escrevo, ainda sem lançamento aqui em terras tupiniquins, o filme já bateu 120 milhões de dólares nas bilheterias mundiais e chega aos cinemas brasileiros no dia 13 de abril.

Ambientado em um universo da fantasia medieval, o filme nos coloca no mundo de Amber Toril (ou somente Toril, para os íntimos), com seus magos, guerreiros, dragões, magias e toda sorte de criaturas e eventos fantásticos.

[AVISO]E a partir daqui, caso você não tenha visto o filme, talvez haja algum tipo de spoiler. Então leia por sua conta e risco.

A história começa com a dupla Edgin Darvis (Chris Pine) e Holga Kilgrove (Michelle Rodriguez) como prisioneiros em uma torre no meio de um deserto gelado, tendo que se improvisar uma fuga durante o julgamento dos dois. Mas antes de saltarem pela janela do aposento, agarrados a uma aarakroca (uma espécie de homem pássaro), Darvis tem a oportunidade de contar a história do motivo de ambos estarem presos ali.

Daí descobrimos que Darvis era um integrante dos Harpistas, grupo de pessoas que se uniu para combater o mal, mas sem se revelar. Entretanto, a esposa de Darvis acaba sendo vítima da vingança dos Magos Vermelhos de Thay e desacreditado, o bardo e sua filha acabam integrando um bando de ladrões (ou um grupo de aventureiros, dependendo de quem está contando a história).

E em uma dessas aventuras, há a promessa de uma tábua que poderia ressuscitar a mulher de Darvis. Eles partem em busca do item mágico, mas acabam sendo traídos por Sofina (Daisy Head), a maga do grupo que se revela uma arcana de Thay, com planos bem sinistros.

Bom, com a história atualizada e dupla fugindo da torre, a câmera dá um zoom out e o terreno se transforma em um mapa e vemos que eles estão em Icewind Dale (ou Vale do Vento Gelado). E isso pode ser uma informação aleatória para qualquer um, mas para os jogadores do universo de Forgotten Realms, onde a história se passa, é ter aquela sensação de estar em casa. Inclusive, o filme faz várias referências geográficas, como Portal de Baldur (ou Barldur’s Gate) e também a Costa da Espada.

A dupla então vai atrás de Forge Fitzwilliam (Hugh Grant, mais canastrão do que nunca rs) e descobrem que agora, ele é um lorde de Neverwinter (ou Nevenunca), que mantêm a filha de Darvis como se fosse sua e que ele também é um traidor. Holga e Darvis são presos, mas novamente conseguem escapar e decidem bolar um plano para se vingarem de Sofina e Forge e também recuperar a tábua da ressurreição e a filha do bardo, Kira.

A partir daí o filme fica mais delicioso ainda, porque a narrativa vai ligando um personagem no outro e é difícil dizer qual deles é mais cativante (mentira, tá… a druida é a mais cativante de todos).

O feiticeiro Simon Aumar (Justice Smith) é recrutado em uma cena onde fica claro que ele não é alguém tão hábil com magia, mas aparentemente, às vezes, suas habilidades mágicas ficam meio selvagens (a cena quando ele anula a gravidade é bem bacana).

Daí o plano segue para recrutar a druida Doric (nossa maravilhosa Sophia Lillis, a Beverly de IT). O motivo é a habilidade que os druidas têm de se transformarem em animais, chamada de Forma Selvagem. E é justamente essa habilidade que será responsável por uma das melhores cenas do filme, quando Sofina persegue Doric, já na cidade de Nevenunca e a druida começa a fugir numa sequência magnífica de transformações, passando por mosca, rato, águia e cervo. Salvo engano e se a memória ainda está fresca, em um único plano sequência.

E por fim, temos a participação especial do paladino Xenk Yendar (Regé-Jean Page), quando o grupo precisa recuperar o elmo da disjunção e acaba enfrentando um grupo de guerreiros thayanos e um dragão bem acima do peso.

Novamente, para quem assiste ao filme e não é jogador, a druida ou paladino são apenas referências gerais para os personagens, mas para os jogadores, as referências dão conta das classes de personagens e conferir as características e habilidades deles em ação, é de encher os olhos. Inclusive, a participação aí do paladino, transportando para uma mesa de jogo, seria um personagem controlado pelo mestre, o famoso Personagem Não Jogador ou PNJ (ou ainda, como diria meu querido amigo Dennis, um Pé na Jaca). Geralmente eles são habilidosos, não morrem tão fácil quanto os personagens dos jogadores e tem uma participação temporária na história.

E se você está lendo até aqui e percebeu o tamanho do texto, acho que deu para notar que mesmo passados os dias que vi o filme, o hype de rpgista ainda não baixou.

No fim das contas, D&D – HeL é um excelente filme, que dá para assistir com a família, amigos ou com o seu lovinho. Ele é divertido na medida certa, me lembrando dos primeiros filmes da Marvel onde as piadas eram mais leves e o humor não tendia para o pastelão, como vimos no lastimável Thor Amor e Trovão. 

A cena do cemitério, onde o grupo precisa buscar informações com os mortos, é hilária, assim como outras piadinhas pontuais, como o ex marido de Holga, o pequenino (ou gnomo, não fica claro), Marlamin, que para surpresa de muitos, é interpretado por ninguém menos do que Bradley Cooper (que fez par romântico com Gaga em Nasce uma Estrela). Até mesmo a resolução final do problema, com um dirigível jogando dinheiro dos céus, funciona.

Inclusive, há outra participação especial que já não era tão surpresa assim (já foi mostrado nos trailers), que são os personagens do desenho Caverna do Dragão, que fez um grande sucesso aqui no Brasil nas décadas de 80 e 90. O motivo dessa participação, que nem todo mundo sabe, é que o desenho é baseado no jogo de RPG e que o nome original é (adivinhem): Dungeons & Dragons. Na época, alguém achou por bem que dar um título brasileiro seria mais palatável.

As cenas de ação e as coreografias de luta são ótimas, inclusive no combate final contra Sofina, onde até mesmo um bandolim vira uma arma contra a maga. Tudo é muito bem executado, com um cuidado de quem é fã e está produzindo para fã. Ah! As criaturas que aparecem também são muito bem feitas, com destaque para o dragão gordinho (já vi, inclusive, que tem um funko dele e já quero), da pantera deslocadora com sua habilidade de aparecer estar onde realmente não está e, para o deleite de muitos, o clássico mímico, um monstro que assume a forma de coisas e objetos. 

E é isso! O filme entrega uma diversão garantida e sem pretensão, mas muito bem feita. É aquele feijão com arroz feito pela mamãe ou, para quem é de Minas, aquele pão de queijo quentinho saído do forno. É o básico bem feito.

O veredicto aqui é o altar, onde delicinhas de filmes como D&D devem estar! Já estou me programando, inclusive, para levar minha pequena de 10 anos para assistir ao filme e já estou curioso para ver como ficou a dublagem! 

Então, se você estava na dúvida se ia ou não assistir ao filme, eu só posso dizer para você não perder mais tempo e garantir sua poltrona nos cinemas!


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