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Crítica: Depois daquela montanha

O filme, dirigido por Hany Abu-Assad (O ídolo, 2015) e escrito por Chris Weitz (roteirista de Rogue One, 2016) e J. Mills Goodloe ( roteirista de The Age of Adaline, 2015) é baseado no best-seller homônimo de 2010 escrito por Charles Martin e acompanha o cirurgião Ben Bass (Idris Elba) e a fotojornalista Alex Martin (Kate Winslet) que estão em Boise/Idaho, por razões profissionais e não conseguem encontrar um vôo de volta para Baltimore e Denver respectivamente, pois os mesmos foram cancelados em virtude de uma tempestade que se aproxima da cidade. Alex, que se casará no dia seguinte, sugere a Ben, que tem uma reunião urgente com a equipe de cirurgia, o fretamento de um vôo para Denver. Eles negociam então com Walter (Beau Bridges) que é piloto de um bimotor e embarcam em seu avião.

Ao sobrevoarem a região montanhosa e selvagem de High Unitas Wilderness, algo inesperado ocasiona a queda do avião. A partir disto, eles precisam lutar pela sobrevivência mesmo apresentando lesões e tendo condições climáticas desfavoráveis.

Na medida em que os protagonistas vão passando pelas “provas” de sobrevivência naquele ambiente inóspito, o filme nos convida a detectar paralelos entre a vida e as relações humanas, o viver e o sobreviver, a fé e a descrença, a esperança e o medo. Quanto mais imergimos nesta reflexão, mais nos identificamos com os dois, porque as situações ocorridas trazem uma “roupagem de pessoas reais” para os mesmos.

Os desafios naturais, físicos ou mentais quais sejam: frio, fome, penhascos, rios,  as dores físicas e emocionais, resignação, aceitação, negação, revolta, preservação e solidão levam Ben e Alex a atravessarem longas distâncias em busca de algo que ainda não encontraram. A distância importante a ser atravessada é a que dá título ao filme (The Mountain Between Us: a montanha entre nós). A identificação e o estreitamento de laços que ocorre entre quem já experimentou situações extremas são retratados aqui de forma muito singular.

À medida que exploram o território geográfico Alex e Ben consolidam o território emocional e Abu –Assad mostra esta transição não só com elementos da natureza como também com a tocante trilha sonora de Ramin Djawadi (Game of Thrones) que serpenteia a relação dos dois como o rio serpenteia  a montanha e consegue chegar a seu destino.

Os diálogos referentes à montanha imaginária entre os dois funcionam como algo que vai construindo uma trilha rumo à aproximação. Alex indaga Ben sobre quem ele é e ao mesmo tempo descobre-se através do olhar dele. Na medida em que Ben cuida de Alex, cicatriza as suas próprias feridas. Os questionamentos dela sobre o que são sentimentos e emoções permitem a ele, que é neurocirurgião ortodoxo, nos brindar com sua mudança de percepção. Afinal, o coração é só um músculo, não é?

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