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Crítica | Coringa

Desde que foi anunciado que sairia um novo filme do vilão mais emblemático do universo Batman, o hype em cima dele está altíssimo. Cada trailer, cada teaser virava assunto instantaneamente. E todo esse estardalhaço faz todo sentindo, porque é um filme excelente.

A história se passa no final dos anos 1970 e início dos 1980 e mostra a vida de um homem, Arthur Fleck (Joaquin Phoenix), com sérios problemas de saúde mental, sofrendo para se inserir em uma Gotham caótica, suja e sem regras. Por lá, ele ganha a vida sendo palhaço de dia e, à noite, comediante de stand-up. A partir dessa premissa, o filme se desenrola maravilhosamente.

O que mais me chama a atenção é sua ambientação é pesada, fria, triste e escura. Neste cenário cinza, quem se destaca é o Arthur vestido de palhaço bem colorido, seja na rua ou no hospital, alegrando a ala infantil. Enquanto a história vai sendo contada,  o telespectador mais atento percebe como as cores vão mudando na mesma velocidade em que o personagem se transforma  em um dos vilões mais icônicos dos quadrinhos.

Outro ponto é como a obra remete esteticamente aos filmes da sua década, buscando referências em Taxi Driver e Rei da Comédia, protagonizado por Robert De Niro, que também está em Joker no papel inverso do original, em que faz o papel de um comediante no programa.

 A trilha sonora aparece com músicas de época que casam completamente com os sentimentos do personagem principal em cada situação. Destaque para “Smile” de Jimmy Durante.

O roteiro faz maravilhosamente bem a transformação de Arthur Fleck em Coringa, e pouco a pouco entende-se todos os motivos que desencadearam sua nova personalidade, estava tudo ali precisando somente de um empurrão para acontecer. Temos algumas pinceladas na história de origem do Batman mas totalmente reformulada e saindo do clichê que o público está cansado de ver em todo filme do morcego.

Talvez o maior desafio do filme seria criar um Coringa diferente de tudo que já tinha sido mostrado e, principalmente, sair da sombra da aclamada atuação de Heath Ledger em Cavaleiros das Trevas. Pode-se dizer com 100% de certeza que esse feito foi atingido com sucesso.

O personagem na pele de Joaquin Phoenix é surreal, 90% do filme se faz valer por sua grande atuação. O espectador fica vidrado o tempo inteiro nele além de tenso com o que Joker pode fazer a qualquer momento. A entrega do ator ao personagem chega a ser doentia. Sua risada descontrolada gera um desconforto que há tempos não sentia se vê no cinema. Phoenix ainda traz uma fisicalidade impressionante, seja nos trejeitos, no sorriso perturbador ou na magreza adquirida para fazer o papel: 24 quilos para ser mais exato, cheiro de indicação ao Oscar, hein?

Vale ressaltar também que não é um filme convencional de herói ou anti-héroi. Melhor dizendo, passa longe disso; é sujo, violento, político, muito mais reflexivo e com várias camadas a serem descobertas e discutidas.

O talento do diretor, Todd Phillips, é notável em criar uma história do zero, sem nenhuma referência de outro quadrinho ou filme da franquia. O que o deu a ele, a liberdade para criar minuciosamente o perfil psicológico de Coringa, o transformando num refém da sociedade em que vive. Foi escrito um novo capitulo na saga do palhaço que, com toda certeza, reverberará por muito tempo.

Coringa é um retrato da sociedade doente em que ele vive. É brilhante e abre portas para uma nova linha de filmes da DC.

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