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Crítica | Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa chega aos cinemas, com a missão de abrir os filmes da DC em 2020. No entanto, não carrega o peso de construir nenhuma ligação para esse universo nos cinemas e sim, contar uma divertida historia. Margot Robbie mais uma vez mostra que nasceu para viver a Arlequina e, com muito carisma, consegue entregar uma atuação  encantadora mostrando toda sua versatilidade como atriz, principalmente nas cenas de ação do filme.

Dirigido por Cathy Yan  (Dead Pigs – 2018), com roteiro de Christina Hodson (Refém do Medo e Bumblebee, ambos de 2018)  e produção de Margot Robbie, Aves de Rapina começa contando a origem de Harleen Quinzel, mostrando desde sua infância até o momento que conhece o Coringa (Sr. C ou, Mr. J) e abandona sua  profissão, se tornando mais uma perigosa e maluca criminosa de Gotham.

O roteiro, de maneira sutil, dá entender que é uma continuação dos eventos que acontecem em (Esquadrão Suicida – 2016) mas de forma bem objetiva já mostra o término entre o Coringa e a Arlequina, terminando com o palhaço do crime a expulsando de casa e narrando, inclusive, o relacionamento abusivo entre eles. O longa então acompanha essa jornada da Arlequina em busca de sua independência para mostrar que consegue se virar sem estar debaixo da sombra do maior criminoso de Gotham.

O elenco do filme ainda conta com Jurnee Smollett-Bell (Dinah Lance/Canário Negro), Mary Elizabeth Winstead  (Caçadora), Rosie Perez (Renee Montoya), Ella Jay Basco  (Cassandra Cain),  Ewan McGregor (Roman Sionis) e Chris Messina (Victor Zasaz). O roteiro de Christina Hodson apresenta as personagens principais sem perder o ritmo da narrativa e, ao mesmo tempo, costura os arcos e se aprofunda nas dificuldades que cada personagem enfrenta ao longo do filme. Em meio a tudo isso, faz sua crítica à sociedade de maneira simples mas pontual como nos versos cantados por Dinah Lance: “Este é um mundo de homens, mas não seria nada, nada sem uma mulher ou uma garota” (James Brown).

A trilha sonora é também um dos destaques do filme, dando dinamismo em sincronia com a bela fotografia e uma Gotham cheia de cores e luz, com os espectadores ficando na dúvida se é um outro lado dessa cidade que até então sempre foi apresentada de maneira mais sombria e escura (e que em certos momentos também é mostrada dessa maneira no filme) ou se estamos enxergando-a pela perspectiva da Arlequina, com seu visual colorido e único. A partir da soma desses elementos é difícil não associar Aves de Rapina com as elogiadas animações da DC, pois é possível perceber nos detalhes essa essência herdada dos desenhos e quadrinhos abraçando personagens caricatos com bom humor e sem medo.

As sequências de luta são bem executadas e mostram o estilo próprio de cada personagem, apresentando uma boa dose de violência justificando a sua classificação para maiores de dezesseis anos. O ponto fraco do filme fica por conta do vilão Roman Sionis, o Máscara Negra interpretado por Ewan McGregor, que mesmo sendo um bom ator fica preso a diálogos vazios e com motivação rasa e deslocada, principalmente nas cenas com  seu braço direito Victor Zsasz (Chris Messina). Desperdiçaram o potencial de dois dos grandes criminosos da galeria de vilões do Batman.

Aves de Rapina é mais uma boa aposta da DC, que mantém sua postura de construir sem pressa seu universo cinematográfico buscando um estilo e uma narrativa própria para cada filme, indo na contramão do que foi construído na era Snyder. A trama é simples e descompromissada, mas resgata o melhor dos filmes de ação do gênero com uma aventura repleta de cenas eletrizantes, divertidas e engraçadas, sem se preocupar com sua ligação com universo cinematográfico. O filme cumpre seu objetivo ao apresentar uma Arlequina agora emancipada e faz jus ao sucesso da personagem na cultura pop, além de conseguir desenvolver a formação da equipe de heroínas e anti-heroínas e abrindo as portas para futuras produções com inclusões de outros personagens nesse universo.


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