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  • Foto do escritorYzza

Belfast

Com direção e roteiro de Kenneth Branagh, o drama foi indicado ao Oscar nas categorias: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante (Judi Dench, como a avó de Buddy), Melhor Ator Coadjuvante (Ciáran Hinds, como o avô do garoto), Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Canção Original (com “Down To Joy”). 

Belfast ou Belfástia, a capital norte irlandesa, é uma cidade marcada pelos conflitos entre Nacionalistas (de maioria católica) e Unionistas (maioria protestante), em uma disputa que começa por volta do século XII e se estende até os dias de hoje. É importante ressaltar que esses conflitos não são apenas de natureza religiosa, envolvem também questões étnicas, políticas e sociais. Esse contexto já serviu de inspiração para diversas obras artísticas, como as músicas Sunday Bloody Sunday do U2 e Zombie de The Cranberries, o que nos ajuda a entender como isso afeta o dia a dia dos irlandeses.

Belfast não se refere especificamente a nenhum acontecimento, mas busca trazer um olhar interno dessa disputa, o filme acontece na cidade, no final dos anos 1960, em meio aos conflitos quando um bairro de maioria católica é violentamente atacado por um grupo protestante, levando a formação de uma barricada e interferência militar. Uma família protestante se vê no meio da violência enquanto o caçula, Buddy, descobre novas sensações e sentimentos. É uma obra bastante poética apesar do momento histórico que representa, quase toda em preto e branco, porém as cenas do filme que a família assiste no cinema e da peça de teatro são em cores. Um recurso interessante, porém que pode gerar um desconforto momentâneo pela quebra de padrão.

A crítica ao conflito é um pouco superficial, talvez até pelo ponto de vista apresentado ser o de Buddy, que é uma criança comum, com seus conflitos próprios, como a escola, a igreja, paixões infantis, as relações com os avós. Existe todo um drama da família que se vê dividida entre o apego ao lugar onde viveram por toda a vida e a possibilidade de se mudar para um outro país onde ficariam em segurança, sendo que o pai já tem que viver em outro país para poder trabalhar e sustentar a família, que passa por dificuldades financeiras. É inevitável comparar com Jojo Rabbit (2020) que tem proposta semelhante, mas trata com profundidade, mesmo que sob uma visão pueril, o drama das vítimas da segunda guerra. 

As indicações ao Oscar de melhor atriz e ator coadjuvantes não são descabidas, uma vez que o casal de avós do garoto é o alívio que permite o filme ter leveza, mesmo se tratando de assuntos tão pesados.

A fotografia é muito interessante, remete aos filmes feitos nas décadas de 60 e 70, ainda que se utilize de recursos tecnológicos como takes aéreos feitos por drones, assim como a cenografia e o figurino são muito adequados ao momento e local do filme. A trilha sonora é muito ambientativa e imersiva. Apesar da indicação na categoria melhor roteiro original, achei um pouco previsível, sem muitas reviravoltas surpreendentes, mas ainda um bom roteiro, com cronologia linear e uma sequência lógica de eventos.

Belfast, apesar dos problemas, é sem dúvida um filme marcante para esse ano e provavelmente vai cair no gosto da academia recebendo vários prêmios. É mais um – entre tantos – filmes densos com toques de leveza que vai te deixar emocionado.

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