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A filha perdida e as dores da maternidade não desejada

Uma das estreias da Netflix e grande candidato ao Oscar consiste numa adaptação do livro homônimo da aclamada autora Elena Ferrante. Além de um elenco incrível com Olivia Colman, Dakota Johnson e Paul Mescal, a direção é de Maggie Gyllenhaal.

O filme, tal qual o livro, conta a história de Leda (Olivia Colman) que vai passar as férias sozinha no sul da Itália ao passo que seu marido e as filhas, já adultas, se mudam para o Canadá. Ela se hospeda numa casa confortável, em frente ao mar, e começa a frequentar a praia mais próxima diariamente. Aqui minha única crítica é a falta de paisagens das praias napolitanas para apresentar o lugar que é descrito no livro MAS eu aceitei isso como recurso para não se desviar do foco narrativo.

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Leda é apresentada como uma pessoa solitária, inofensiva e melancólica passando por situações que são dignas de pena pelo espectador. A gente vê ali uma senhora frágil e quer protegê-la, até que mais camadas são apresentadas e tudo muda. Da senhora frágil somos levados ao passado em que uma jovem pesquisadora brilhante precisa conciliar a estressante maternidade com a ascensão da carreira acadêmica e, com o passar dos anos, carrega consigo culpa por diversos acontecimentos e escolhas nessa jornada.

Nesse local, ela se depara com uma ruidosa (e grande) família napolitana que costumeiramente vai à praia em grupo. Os primeiros contatos de Leda com seus colegas de areia não são nada bons até que em um belo dia ensolarado uma criança, filha de Nina (Dakota Johnson) desaparece e Leda consegue encontrá-la. Esse acontecimento faz Leda se tornar uma pessoa confiável para a família, principalmente por Nina que passa a vê-la como quase uma amiga ou um suporte.

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O livro possui uma narrativa simples, parecendo uma conversa franca com o leitor, que constrói de forma única a relação da maternidade na vida de mulheres muito diferentes, focando principalmente em “desmistificar” o “dom divino” e dever matriarcal que é quase que elemento cultural na sociedade. A mensagem que passa é que, no final, a maternidade é um caminho de solidão e nem todas as pessoas estão dispostas a lidar com as consequências disso.

O filme passa exatamente essa sensação e o que é mais interessante, a protagonista tem sido colocada em reviews por aí como alguém egoísta. Ou melhor: o filme A Filha Perdida tem sido lido como uma história sobre egoísmo e sinceramente, pra mim não há nada disso na atitude de Leda. Essa interpretação de perversidade está sendo colocada apenas por ser uma mulher que recusou o seu “dever social da maternidade”, coisa que homens fazem diariamente e não são vistos dessa mesma forma.

O filme é um convite para entender Leda e seus conflitos e para desconstruir a visão romantizada da maternidade, principalmente quando ela é contrastada com outras mães. É uma história simples sendo contada de uma forma envolvente e tocante e fica aí como uma dica para vocês.

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